
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) juntou-se à Microsoft para lançar um novo assistente virtual focado em apoiar vítimas de cibercrime e violência. Esta nova ferramenta, integrada na Linha Internet Segura, tem como objetivo oferecer um primeiro passo confidencial e rápido para quem procura denunciar abusos no ambiente digital.
De acordo com os dados partilhados no Global Online Safety Survey, os jovens estão cada vez mais expostos a discursos de ódio, fraudes e ciberbullying. Para combater esta tendência e garantir apoio imediato, o novo Chatbot da APAV já se encontra disponível para utilização gratuita a qualquer hora do dia.
O aumento alarmante dos crimes digitais em Portugal
Os números não deixam margem para dúvidas quanto à urgência da situação. Durante o ano de 2025, a Linha Internet Segura recebeu 949 casos relacionados com cibercrime e violência no nosso país, o que representa uma subida expressiva de 39% face ao período homólogo. As burlas e a extorsão dominaram a lista dos crimes mais reportados pelos portugueses, refletindo a complexidade crescente das ameaças online. Com a entrada em 2026, as entidades envolvidas no consórcio do Centro Internet Segura alertam que o apelo à ação se tornou urgente, sublinhando que a falta de experiências seguras pode condicionar o acesso saudável dos mais novos à tecnologia.
Um escudo de privacidade construído com inteligência artificial
Para criar esta solução inovadora, a parceria contou com o desenvolvimento técnico da Visual Thinking e o recurso à infraestrutura Azure OpenAI. O grande destaque desta nova IA reside na sua arquitetura de segurança invisível. O sistema foi desenhado para correr num ambiente fechado onde a privacidade é a prioridade máxima.
A informação gerada na plataforma é encriptada e os dados residem exclusivamente na União Europeia. O modelo de funcionamento garante que apenas a própria associação de apoio tem controlo sobre a ligação, bloqueando o acesso a terceiros, incluindo à própria empresa criadora do software tecnológico. Este detalhe é fundamental para assegurar o anonimato e a confiança de quem recorre à ferramenta num momento de vulnerabilidade.
O primeiro passo antes do apoio humano
Apesar de representar um avanço tecnológico considerável, o assistente virtual não pretende substituir o acompanhamento humano especializado prestado pelos técnicos. Em vez disso, funciona como uma ponte segura e um espaço para quebrar o gelo. Carolina Soares, gestora da Linha Internet Segura, explica que toda a informação que alimenta o sistema foi rigorosamente produzida e validada pela equipa, permitindo autonomizar o trabalho diário e libertar os profissionais para onde o toque humano é verdadeiramente insubstituível.
Testes recentes realizados em ambiente escolar demonstraram o impacto real da iniciativa. A garantia de que a plataforma não recolhe dados pessoais revelou-se o fator decisivo para que muitos jovens perdessem a apreensão inicial, sentindo a segurança necessária para interagir com o telemóvel e procurar ajuda através do ecrã.












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