
Quando Pragmata foi anunciado em conjunto com a PlayStation em 2020, o seu trailer futurista prometeu uma experiência de ação inesquecível no espaço profundo. Embora o título entregue todos os momentos de adrenalina esperados, o que realmente nos surpreendeu durante os nossos testes foi a narrativa sensível sobre o amor paternal. Esta é a entrada da Capcom no que muitos apelidam de género dos "pais melancólicos", e o resultado é uma obra com uma alma inesperada.
O Despertar de uma Nova Humanidade na Lua
Nesta ficção ambientada num futuro próximo, a corporação Delphi estabeleceu uma estação de investigação na superfície lunar para testar tecnologias avançadas de impressão 3D. Através da utilização do "Lunafilament", os cientistas conseguem recriar desde ferramentas simples a edifícios inteiros com uma facilidade desconcertante. No entanto, como seria de esperar, as coisas acabam por correr terrivelmente mal no centro da colónia.
Quando a estação fica subitamente sem comunicações, o engenheiro Hugh é enviado da Terra para investigar o silêncio. Logo desde o início, notámos uma melancolia envolvente em Pragmata, com corredores cintilantes que conduzem a laboratórios estranhamente abandonados. Encontramos criações impressas a meio, com fios de filamento pendurados, e hologramas que revelam a crescente preocupação dos investigadores antes do fim macabro da equipa.

Hugh descobre rapidamente que não está sozinho nesta jornada perigosa. Após ser atacado por dróides de segurança com problemas de funcionamento, o nosso protagonista é salvo por Diana, uma androide desenhada com o aspeto de uma menina de seis anos. Esta relação improvável torna-se o pilar central de toda a experiência de jogo, evoluindo de forma orgânica à medida que exploramos os segredos da estação lunar.
Mecânicas de Combate e a Arte do Multitarefa
A jogabilidade em Pragmata apresenta uma dinâmica única, onde Diana assume um papel ativo na defesa contra os mechs assassinos. Ao carregar a pequena companheira aos ombros, podemos ativar funções de pirataria informática em tempo real para expor os pontos fracos dos inimigos. Esta mecânica exige que o jogador navegue num mini-jogo de hacking num canto do ecrã enquanto, simultaneamente, dispara contra as ameaças robóticas que avançam.

Esta abordagem faz-nos recordar, de certa forma, a gestão exigente de títulos clássicos de multitarefa. Embora o arsenal inicial seja relativamente simples, a nossa experiência tornou-se muito mais rica à medida que desbloqueámos novos módulos de hacking e melhorámos os propulsores do fato de Hugh. O combate evolui de confrontos básicos para testes complexos de reflexos e estratégia, especialmente quando combinamos os ataques de Diana com as melhorias de mobilidade.
Existe um calor humano palpável sob o brilho metálico de Pragmata. A relação entre Hugh e Diana floresce de forma natural, evitando o sentimentalismo forçado. Cada nova linha de diálogo entre os dois personagens consegue arrancar um sorriso ao jogador, tornando impossível não criar uma ligação emocional com esta dupla. É este detalhe que eleva o jogo acima de um simples jogo de tiros de ficção científica.
Exploração e o Refúgio da Engenhosidade
Para os momentos em que precisamos de recuperar o fôlego, o jogo oferece um abrigo subterrâneo que serve como centro de operações. Este refúgio, que pode ser melhorado ao longo do tempo, apresenta uma estrutura que privilegia a preparação e o descanso. Aqui, podemos investir em atualizações para o fato e armamento, realizar simulações de treino e fortalecer os laços entre os protagonistas.
Após as conversas, Diana sente-se inspirada a desenhar ilustrações sobre as vossas aventuras, demonstrando a sua aprendizagem sobre a natureza humana através das histórias de Hugh. É possível até interagir com ela em atividades recreativas, como o jogo das escondidas, ou instalar um parque infantil impresso em 3D. Estes momentos de calma são essenciais para equilibrar a tensão das missões principais.
Visualmente, o título é impressionante e variado. Graças aos cenários recriados pelos cientistas, passamos rapidamente de corredores frios para selvas tropicais, praias e até para a superfície da Lua, onde a ausência de gravidade altera completamente a movimentação. A exploração de uma réplica de Nova Iorque a meio da impressão revela pormenores fascinantes do passado da Delphi, como mensagens de funcionários que expressavam tédio perante a automação total das suas tarefas.
Veredicto Final e Considerações Técnicas
Pragmata beneficia imenso da direção artística de Cho Yonghee, conhecido pelo seu trabalho em Nier Automata. A qualidade visual mantém-se consistente e, embora o ritmo abrande ligeiramente a meio da aventura, as revelações finais e as melhorias de fim de jogo garantem um desfecho empolpante. Ficámos particularmente impressos com a otimização, com o título a correr com fluidez na PS5 Pro e até de forma surpreendente na consola Switch 2 da Nintendo.
No final, este é um projeto que triunfa por se focar na atmosfera e na narrativa de jogador individual. Pragmata é uma aventura feita com coração, que prioriza a construção de mundo e o desenvolvimento de personagens sem descurar a inovação no combate. É uma recomendação obrigatória para quem procura uma história envolvente e mecânicas de jogo frescas no panorama atual da indústria.
Prós:
Narrativa emocional profunda e personagens bem desenvolvidos
Combate inovador com mecânicas de hacking em tempo real
Direção artística soberba e grande variedade de cenários
Otimização técnica notável tanto em consolas de topo como portáteis
Contras:
Ritmo da ação abranda ligeiramente na fase intermédia do enredo
Arsenal inicial é um pouco limitado antes das primeiras atualizações críticas












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