
O multimilionário Elon Musk optou por não comparecer, esta segunda-feira, a uma entrevista voluntária agendada pelas autoridades francesas em Paris. A convocatória surgiu no âmbito de uma investigação criminal que visa a rede social X e o seu sistema de inteligência artificial, o Grok, devido à disseminação de material relacionado com abuso sexual de menores e outros conteúdos proibidos.
Segundo os detalhes avançados pelo The Guardian, os procuradores franceses confirmaram a ausência das pessoas convocadas, sem referir diretamente o nome de Musk. No entanto, o gabinete da procuradoria de Paris sublinhou que esta falta de comparência não constitui um obstáculo à continuidade do processo. Musk, que já tinha insultado publicamente as autoridades envolvidas na plataforma X, encara estas diligências como um ataque político.
Investigação sobre algoritmos e deepfakes sexuais
O inquérito judicial teve início em janeiro de 2025, focando-se inicialmente em suspeitas de interferência política através do algoritmo da rede social. Contudo, o âmbito foi alargado após a descoberta de que o chatbot Grok estava a ser utilizado para gerar material de negação do Holocausto e "deepfakes" de cariz sexual. Relatórios de organizações de vigilância digital estimam que o sistema de IA tenha gerado milhões de imagens sexualizadas em poucos dias, incluindo milhares de representações de crianças.
Em fevereiro, as autoridades chegaram a realizar buscas nos escritórios da empresa em Paris. Na altura, além de Musk, também a anterior diretora executiva, Linda Yaccarino — que abandonou o cargo em julho do ano passado —, foi chamada a prestar declarações como gestora de direito da plataforma à data dos acontecimentos.
Pressão internacional e liberdade de expressão
A França não é o único país a apertar o cerco às empresas de Elon Musk. Reguladores no Reino Unido e a própria União Europeia já iniciaram investigações semelhantes, preocupados com a conformidade da empresa perante as leis de proteção de dados e a segurança de menores. A facilidade com que os utilizadores conseguem manipular imagens através de comandos de texto simples no Grok é o ponto central das críticas.
Por outro lado, figuras como Pavel Durov, fundador do Telegram e também alvo de investigações em solo francês, saíram em defesa de Musk. Durov acusou o governo de Emmanuel Macron de utilizar processos criminais para suprimir a liberdade de expressão e a privacidade. Enquanto o debate político ferve nas redes sociais, a justiça francesa mantém o calendário de audições de funcionários da empresa, previsto para decorrer entre 20 e 24 de abril.












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