
Apesar de várias entidades governamentais norte-americanas estarem já a utilizar o novo modelo de inteligência artificial da Anthropic para detetar vulnerabilidades, a agência central de coordenação de segurança digital do país parece ter ficado de fora. Segundo avança o Axios, a Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA) ainda não tem acesso ao Mythos Preview, uma ferramenta que a própria Anthropic descreve como fundamental para encontrar e corrigir falhas de segurança críticas.
Enquanto a CISA permanece à margem, outras agências como o Departamento de Comércio e a NSA já estarão a tirar partido desta tecnologia. A administração de Donald Trump tem estado a negociar um acesso mais alargado a estas capacidades, mas a agência responsável por proteger infraestruturas vitais e coordenar a resposta a ataques informáticos a nível nacional parece não ter sido priorizada nesta fase inicial.
Impacto na segurança digital e cortes orçamentais
A ausência de acesso ao Claude Mythos Preview por parte da CISA levanta preocupações sobre a eficácia das operações de defesa digital dos EUA. Esta agência, que faz parte do Departamento de Segurança Interna (DHS), tem como missão apoiar funcionários locais na gestão de redes públicas e serviços essenciais, mantendo-os informados sobre possíveis falhas no sistema. Contudo, a falta de ferramentas de ponta pode colocar em risco a segurança de dados sensíveis.
Este cenário surge num momento de pressão para a CISA, que tem enfrentado cortes significativos no seu orçamento e na sua força de trabalho. Com a implementação de medidas de redução de custos por parte do Departamento de Eficiência Governamental, muitos especialistas abandonaram a agência e outros foram reafetados a prioridades relacionadas com a imigração. O diretor em exercício já alertou o Congresso para a limitação de recursos na deteção de intrusões, especialmente num período em que a administração procura reduzir ainda mais o financiamento da entidade.
O potencial do Mythos Preview na defesa cibernética
A Anthropic afirma que o seu novo modelo já conseguiu identificar falhas de segurança em quase todos os principais sistemas operativos e browsers. A empresa está a conceder acesso restrito à ferramenta para permitir que instituições chave ganhem vantagem na preparação das suas defesas contra ciberataques. No entanto, por agora, a CISA não parece ter essa oportunidade, apesar de ser a agência com a responsabilidade direta de proteger as infraestruturas críticas do país.
A situação é agravada pelo histórico de tensões políticas em torno da agência. Durante o primeiro mandato de Donald Trump, a CISA foi alvo de críticas após classificar as eleições de 2020 como as mais seguras da história americana, o que levou à demissão do seu então líder. Agora, com o regresso do presidente à Casa Branca, as decisões tomadas sobre o orçamento e o acesso a novas tecnologias de IA sugerem que o papel da agência na coordenação central da cibersegurança poderá continuar a ser limitado.












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