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Volkswagen Dresden

A gigante chinesa BYD está em conversações para ocupar parte das instalações de produção da Volkswagen em Dresden, na Alemanha. De acordo com os detalhes avançados em exclusivo pela CarNewsChina, esta parceria incomum entre fabricantes rivais surge como uma solução estratégica para ambas as empresas no atual panorama do setor automóvel.

A estratégia de redução de custos e o selo europeu

Oliver Blume, diretor executivo da fabricante alemã, considera que a partilha de espaço fabril com empresas chinesas é uma decisão inteligente. A marca europeia procura reduzir a sua produção global de doze para nove milhões de automóveis, o que resulta num excesso de espaço disponível e falta de volume de trabalho para preencher a totalidade das suas infraestruturas. O arrendamento ou venda destas áreas permite um corte significativo nos custos enquanto a empresa define o seu futuro.

Para a fabricante asiática, a presença em Dresden representa muito mais do que apenas espaço extra de montagem. O principal atrativo é a obtenção do prestigiado selo de fabrico alemão, reconhecido mundialmente pela sua engenharia. Ao produzir os seus veículos elétricos na Alemanha, a marca consegue posicionar-se como uma entidade local perante os consumidores, atenuando a imagem de fabricante estrangeira. O crescimento na região é já notório, com 3438 automóveis vendidos no mercado alemão apenas no passado mês de março, o que representa um salto de 327% face ao ano anterior.

O peso das taxas de importação e as relações políticas

Estabelecer uma linha de produção física na Europa permite também contornar os pesados encargos fiscais. Atualmente, os veículos importados enfrentam uma taxa de 10%, à qual se soma uma tarifa adicional de 17% imposta pela União Europeia devido a preocupações com os subsídios estatais chineses. A produção em solo europeu elimina parte destes custos, uma rota que a empresa já está a trilhar com a construção de novas fábricas na Hungria e na Turquia, sendo esta última uma escolha popular por não enfrentar as mesmas tarifas elevadas de exportação para a União Europeia.

O panorama político desempenha um papel fundamental na escolha do destino destas fábricas. O voto alemão contra o agravamento das taxas sobre os veículos elétricos chineses agradou a Pequim, que tende a favorecer comercialmente as nações que apoiam os seus negócios. O interesse nas fábricas europeias antigas não é exclusivo desta marca, estendendo-se a nomes como a MG e a XPeng para acelerar a colocação dos automóveis nas estradas europeias sem o peso das taxas de envio. A XPeng, em particular, mantém já uma colaboração próxima com a fabricante alemã, que detém 5% da empresa chinesa para partilha de software e tecnologia, o que poderá facilitar eventuais acordos fabris.

Apesar da expansão, a fabricante asiática terá de se adaptar. Após enfrentar críticas sobre o tratamento laboral em países como o Brasil e a Hungria, a entrada na Alemanha obrigará ao cumprimento de leis de trabalho altamente rigorosas. Ainda assim, assumir o controlo de uma instalação lendária na Europa será um marco histórico, sinalizando uma clara mudança de poder na indústria automóvel global.

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