
A explosão da inteligência artificial (IA) não está apenas a inflacionar o preço do hardware e dos serviços tecnológicos, mas também a impactar diretamente as infraestruturas básicas. O caso mais recente surge no estado norte-americano de Maryland, onde os cidadãos vão enfrentar um aumento na fatura da eletricidade para financiar a modernização da rede, impulsionada pelo consumo massivo dos centros de dados focados em IA.
O Governo local confirmou que os consumidores vão começar a notar um agravamento nos custos da eletricidade. O objetivo desta subida é cobrir parte das despesas de expansão da rede elétrica, que necessita de escalar rapidamente para suportar as exigências energéticas destas novas instalações, apesar de uma grande parte dessa procura estar a ser gerada fora das fronteiras do próprio estado.
O impacto direto na carteira dos consumidores
Os cerca de 6,2 milhões de habitantes de Maryland não terão de pagar a totalidade da modernização de uma só vez, mas sim através de um sobrecusto na tarifa que se prolongará por várias décadas. De acordo com a informação avançada pelo boletim oficial do estado de Maryland, a fatura total da expansão ronda os 20,4 mil milhões de euros (22 mil milhões de dólares). Deste montante, cerca de 1,8 mil milhões de euros (2 mil milhões de dólares) serão cobrados diretamente aos consumidores através da fatura da luz. A estimativa aponta que, ao fim de dez anos a pagar esta taxa adicional, os cidadãos já terão contribuído com quase 1,5 mil milhões de euros.
A distribuição destes custos revela um peso significativo para todos os setores. Os clientes residenciais vão suportar cerca de 764 milhões de euros, o que representa um aumento médio de 320 euros por família. Já o comércio assumirá 135 milhões de euros (cerca de 625 euros por cliente), enquanto o setor industrial sofrerá o maior impacto, suportando 584 milhões de euros, com uma média de catorze mil euros por empresa. As autoridades que defendem os consumidores alertam que este esforço financeiro não reflete o consumo real do estado, que está a pagar por uma infraestrutura que serve interesses externos.
Esta situação espelha o cenário que se vive na Europa com as infraestruturas de telecomunicações. A exigência para remover os equipamentos da Huawei e ZTE das redes europeias tem um custo estimado que pode ultrapassar os 21 mil milhões de euros, uma despesa que as operadoras inevitavelmente acabarão por refletir nas mensalidades dos clientes, justificando a subida com a necessidade de garantir uma rede mais segura para todos.
Maryland é apenas o início do problema
A pressão sobre a rede elétrica de Maryland é modesta quando comparada com outros estados norte-americanos onde a IA está a crescer de forma mais agressiva. Regiões como a Virgínia, Ohio, Pensilvânia e Ilinóis apresentam uma concentração muito superior de centros de dados. Na Virgínia, por exemplo, o consumo energético destas instalações disparou 660% nos últimos anos. Se um estado com menor densidade tecnológica como Maryland precisa de cobrar 1,8 mil milhões de euros aos seus cidadãos, o impacto financeiro em regiões centrais para o processamento de dados será substancialmente maior.
Tudo isto acontece em contradição com as promessas feitas pela Casa Branca no início de março de 2026, que visavam impedir que as gigantes tecnológicas transferissem os custos energéticos da IA para as famílias. Empresas de topo comprometeram-se a cobrir as despesas das suas próprias infraestruturas — levando mesmo à construção de centrais elétricas privadas para otimizar operações —, mas a realidade mostra que os consumidores comuns continuam a ser chamados a pagar a fatura da expansão.












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