
O Garmin Forerunner 265 foi recentemente colocado à prova num rigoroso teste de laboratório pela Georgia Southern University, em 2026. Embora o relógio se destaque em funções cardíacas básicas, os resultados indicam que uma métrica vital para o desempenho desportivo — a variabilidade da frequência cardíaca (HRV) — apresenta falhas significativas. Segundo o estudo académico da Georgia Southern University, esta limitação pode comprometer a confiança de atletas de alta performance que dependem de dados exatos para gerir o treino e a recuperação.
Precisão cardíaca e o desafio da variabilidade
Para a elaboração do estudo, os investigadores Kayla M. Porter e Andrew Flatt compararam a funcionalidade Health Snapshot do relógio com um eletrocardiograma (ECG) de canal único, considerado o padrão de referência. A equipa recrutou 30 jovens adultos que realizaram medições simultâneas em três posições distintas: deitado, sentado e em pé. O objetivo central era verificar se o sensor ótico de pulso conseguiria espelhar com rigor a precisão das cintas peitorais tradicionais.
Os resultados obtidos foram mistos. O Forerunner 265 mostrou ser extremamente fiável na medição da frequência cardíaca em repouso, registando um desvio mínimo de apenas dois batimentos por minuto. Contudo, quando a análise se focou na variabilidade da frequência cardíaca, os dados deixaram de coincidir. O dispositivo não conseguiu alcançar o patamar necessário para uma monitorização de nível clínico ou para atletas de elite, revelando disparidades importantes nas leituras da HRV.
O impacto da posição corporal e o erro proporcional
A investigação detetou um fenómeno técnico designado como viés proporcional. Na prática, isto significa que quanto mais saudável e elevado era o valor de variabilidade do voluntário, maior tendia a ser o erro registado pelo relógio. O sensor da Garmin apresentava uma tendência para subestimar os valores mais altos, que são precisamente os indicadores de um estado de recuperação plena e de um excelente condicionamento físico.
A posição do corpo também se revelou um problema determinante para a fiabilidade dos dados. A concordância entre o relógio e o ECG foi classificada como pobre, especialmente quando os participantes se encontravam de pé. Nestas condições, a leitura ótica no pulso sofre mais interferências externas, o que torna os valores de variabilidade pouco aproveitáveis para quem procura um controlo rigoroso das cargas de treino.
A equipa avaliou ainda o impacto do tom de pele, utilizando a escala de Fitzpatrick. Embora a amostra de tons mais escuros fosse limitada para uma conclusão definitiva, os erros de HRV pareceram ocorrer de forma generalizada. O relatório final conclui que o Forerunner 265 é inadequado para fins de investigação científica ou para atletas que dependem de dados milimétricos para evitar a estafa. Para o utilizador comum, o relógio mantém-se como uma excelente ferramenta de saúde geral, mas as cintas com ECG continuam a oferecer uma margem de confiança superior.












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