
A luta pela preservação digital entrou numa nova fase política com a Entertainment Software Association (ESA), o principal grupo de pressão da indústria nos EUA, a posicionar-se contra uma proposta legislativa na Califórnia. Segundo avançou o portal Rock Paper Shotgun, a associação argumenta que a chamada Lei de Proteção de Nossos Jogos (AB 1921) não reflete a realidade técnica dos títulos modernos, especialmente os que funcionam como serviço.
O braço de ferro entre consumidores e indústria
A proposta de lei em debate obrigaria as editoras a avisar os utilizadores com 60 dias de antecedência antes de desligarem servidores essenciais. Mais do que isso, as empresas teriam de fornecer uma alternativa funcional, como um modo offline ou ferramentas para servidores privados, sob pena de terem de emitir um reembolso total aos compradores. Esta medida aplicar-se-ia a compras digitais efetuadas a partir de 1 de janeiro de 2027.
Para a ESA, esta obrigação representa uma ameaça à inovação, alegando que adaptar jogos antigos consumiria recursos que deveriam ser aplicados em novas tecnologias. No entanto, a iniciativa Stop Killing Games defende que não se trata de manter servidores ativos para sempre, mas sim de garantir que um produto pago não se torne lixo digital. Casos como o fecho de The Crew pela Ubisoft tornaram-se símbolos deste descontentamento, embora a mesma empresa tenha acabado por anunciar um modo offline para a sequela após a pressão pública.
A ofensiva europeia e o direito à propriedade
Enquanto nos EUA a discussão se foca na Califórnia, na Europa a situação está ainda mais avançada. A iniciativa de cidadania europeia para travar a destruição de videojogos já reuniu mais de 1,2 milhões de assinaturas verificadas. Após uma audiência pública no Parlamento Europeu a 16 de abril de 2026, aguarda-se agora uma resposta oficial da Comissão Europeia, prevista para o próximo dia 27 de julho.
A indústria, através da Video Games Europe, mantém o discurso de que o software é licenciado e não vendido como propriedade plena, o que justificaria o fecho de serviços quando deixam de ser comercialmente viáveis. Esta visão colide com as expectativas dos consumidores, habituados a termos comerciais como "comprar". A grande questão para os próximos meses será definir se a preservação de um jogo é um direito básico de quem paga ou um custo excessivo para quem produz.












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