
O Kremlin continua a apertar o cerco à liberdade digital e traçou um objetivo ambicioso para o final desta década. O Roskomnadzor, o regulador de comunicações da Rússia, pretende bloquear quase todos os servidores de VPN a operar no país até 2030. De acordo com informações avançadas pelo Cybernews, esta medida faz parte de uma estratégia de longo prazo para isolar o acesso à informação e consolidar o controlo estatal sobre a rede.
Investimento bilionário no RuNet
Este plano não é apenas uma intenção teórica, uma vez que já conta com financiamento garantido no orçamento federal. Em 2026, serão alocados 20 mil milhões de rublos (cerca de 200 milhões de euros) para o bloqueio de serviços de VPN e para o desenvolvimento do RuNet, a chamada "internet soberana" russa. O governo reservou montantes idênticos para os anos de 2027 e 2028, demonstrando que o investimento na infraestrutura de censura é uma prioridade absoluta.
A situação foi denunciada pela jornalista independente Maria Kolomychenko, que descobriu documentos oficiais no site do Roskomnadzor detalhando as táticas para impedir o uso de redes privadas virtuais. Contudo, ainda não existe uma definição clara do que o governo entende por uma "eficiência de bloqueio de 92%". Este valor pode referir-se à quantidade de aplicações removidas das lojas, ao volume de tráfego filtrado ou à percentagem de utilizadores impedidos de estabelecer ligação.
Pressão sobre as gigantes tecnológicas
Nos últimos anos, o regulador tem ordenado a empresas como a Apple a remoção de centenas de ferramentas das suas lojas de aplicações. Serviços populares como o ExpressVPN e o CyberGhost já se tornaram inacessíveis para o público russo, muitas vezes sem qualquer aviso prévio. Ativistas dos direitos humanos, como Benjamin Ismail da organização GreatFire, alertam que estas práticas constituem uma ameaça direta à privacidade e à liberdade digital.
O braço de ferro estende-se também a outras plataformas. Em fevereiro de 2026, um tribunal de Moscovo aplicou uma multa de 22,8 milhões de rublos (aproximadamente 230 mil euros) à Google. A sanção deveu-se à promoção de serviços de VPN através da loja Google Play, algo que as autoridades russas consideram ilegal perante as novas diretrizes de controlo da informação no país.












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