
A Microsoft encerrou uma operação criminosa conhecida como Fox Tempest, que utilizava os próprios serviços da empresa para assinar digitalmente ficheiros maliciosos. De acordo com o processo legal da Microsoft, esta tática permitia que o software malicioso contornasse as proteções do Windows e infetasse os utilizadores sem levantar quaisquer suspeitas.
Como funcionava a fraude dos certificados
O grupo criminoso vendia um serviço de assinatura de malware a outras organizações ilícitas. Para atingir os seus objetivos, abusava da plataforma Azure Artifact Signing, o que levou à criação de mais de mil certificados fraudulentos e centenas de contas, subscrições e plataformas no Azure, tudo através da utilização de identidades roubadas nos Estados Unidos e no Canadá.
Para evitar a deteção pelos sistemas de segurança da Microsoft, os piratas informáticos emitiam certificados com uma validade muito curta, de apenas 72 horas. Dessa forma, instaladores falsos de programas populares como o Teams, o AnyDesk ou o PuTTY conseguiam passar pelas verificações do sistema operativo como se fossem ferramentas autênticas, descarregando posteriormente cavalos de Troia como o Oyster para instalar ransomware.
Combate direto ao cibercrime e ao ransomware
Em maio de 2026, a unidade de crimes digitais da gigante tecnológica agiu para colocar um ponto final no esquema. As equipas apreenderam o domínio utilizado pelos criminosos, desativaram centenas de máquinas virtuais ligadas à operação e bloquearam o acesso a toda a infraestrutura de alojamento do serviço. O site em causa exibe agora um aviso oficial da marca sobre o processo judicial em curso no tribunal de Nova Iorque.
Esta infraestrutura ilegal alimentava ativamente várias campanhas de extorsão à escala global. Entre os principais clientes do serviço encontravam-se grupos de ransomware de alto perfil, como o Rhysida, o Akira e o Vanilla Tempest. Os cibercriminosos pagavam valores entre os 4600 e os 8300 euros em Bitcoin para obter acesso à plataforma, que era amplamente promovida no Telegram e geria operações milionárias de forma bastante estruturada.












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