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Pope Leo

O Papa Leão XIV emitiu a sua primeira encíclica papal, abordando de frente a ascensão tecnológica e os seus limites. De acordo com o documento oficial, o pontífice alertou para o erro de comparar as capacidades das máquinas com a natureza humana, num evento de apresentação que contou de forma notável com a presença de Christopher Olah, cofundador da Anthropic.

Com mais de 42 mil palavras na sua versão inglesa, a encíclica sublinha que, embora as ferramentas tecnológicas possam imitar certas funções cognitivas e até superar o cérebro humano em velocidade e processamento de dados, oferecendo benefícios concretos, estas continuam a ser apenas simuladores.

Máquinas sem consciência e o poder tecnológico

O líder da Igreja Católica foi perentório ao afirmar que estas ferramentas não passam por experiências, não têm um corpo, não sentem dor nem alegria, e não amadurecem através de relações interpessoais. Segundo as palavras de Leão XIV, carecem de consciência moral para julgar o bem do mal, para assumir responsabilidades ou para compreender interiormente o significado de amizade e amor. Podem simular empatia, mas não compreendem o que produzem, faltando-lhes a perspetiva espiritual e afetiva.

No campo prático, o Papa defendeu o estabelecimento de ferramentas regulatórias capazes de travar os efeitos negativos do poder tecnológico. Alertou para a atual concentração de riqueza nas mãos de poucos e apontou que cabe aos governos garantir que esta desigualdade não aumenta. Sublinhou ainda que qualquer IA deve ser mantida longe de decisões sobre armamento, tarefa que terá de pertencer exclusivamente aos humanos no futuro.

Educação, emprego e ferramentas de união

Outro ponto destacado no texto prende-se com as novas gerações e o mercado laboral. O Papa apelou a uma aliança educativa na era digital, ensinando os jovens a pensar criticamente e prevenindo a apatia pela procura da verdade. A regulamentação, frisou, também deve proteger os utilizadores contra conteúdos violentos ou degradantes gerados pelas máquinas, evitando a exploração sexual e o aliciamento.

No que toca à economia, Leão XIV alertou que a implementação destas inovações e os respetivos lucros não devem justificar a perda sistemática de empregos. Encorajou fortemente a requalificação e a proteção dos trabalhadores que correm riscos de perder os seus postos.

Apesar dos avisos rígidos, a mensagem final não é de rejeição total. O pontífice clarificou que a tecnologia não deve ser encarada como um inimigo da humanidade, indicando que, se for gerida com precaução, pode expandir horizontes. Como exemplo prático de uma aplicação benéfica, o Vaticano colaborou em fevereiro deste ano com a plataforma Translated para fornecer traduções automáticas e em tempo real aos fiéis durante as missas.

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