
Um investigador da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) faz parte da equipa internacional que confirmou a formação de dois planetas gasosos gigantes à volta da estrela WISPIT 2. Esta descoberta, detalhada no portal de notícias da Universidade do Porto, abre uma janela rara para compreender os processos celestes que terão dado origem ao nosso próprio Sistema Solar.
A confirmação deste jovem sistema planetário só foi possível através do Interferómetro do Very Large Telescope (VLTI), uma infraestrutura gerida pelo Observatório Europeu do Sul (ESO). A equipa de astrónomos recorreu ao GRAVITY+, um instrumento atualizado que combina a luz de vários telescópios para atingir uma resolução sem precedentes. Segundo o professor Paulo Garcia, o sucesso destas captações assenta numa tecnologia de ótica adaptativa de ponta, capaz de corrigir a turbulência da atmosfera em tempo real e de eliminar a distorção visual em torno do astro central.
O papel crucial da engenharia portuguesa
A participação nacional foi determinante na criação do software que processa os sinais luminosos recolhidos. Antes deste avanço, os cientistas apenas tinham identificado o planeta WISPIT 2b. Contudo, as novas melhorias e o aumento da sensibilidade do equipamento revelaram a presença de um segundo gigante gasoso, designado WISPIT 2c, cimentando a prova de um sistema duplo em pleno crescimento.
O primeiro corpo descoberto possui uma massa quase cinco vezes superior à de Júpiter e orbita a uma distância considerável da sua estrela. Por sua vez, o WISPIT 2c encontra-se numa órbita mais próxima e tem cerca do dobro da massa do seu companheiro. O disco de matéria que os rodeia apresenta anéis marcados que sugerem a possível existência de corpos adicionais, incluindo um hipotético terceiro planeta com massa semelhante a Saturno.
Desafios técnicos e as próximas observações
O percurso para obter estas imagens diretas não está isento de obstáculos. As vibrações nos instrumentos representam um desafio constante para a precisão das leituras. Para resolver estas questões, a equipa colabora ativamente com especialistas de várias áreas da engenharia, procurando soluções integradas que garantam a estabilidade e o rigor do sistema de interferometria.
Os investigadores preparam-se agora para continuar a monitorizar a evolução deste jovem sistema estelar. O objetivo a longo prazo passa por utilizar o Extremely Large Telescope, um observatório gigantesco atualmente em construção que promete fornecer imagens com um nível de detalhe ainda mais decisivo para ajudar a desvendar os grandes segredos da formação planetária.












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