
A ByteDance, empresa responsável pelo TikTok, está a desenvolver os seus próprios processadores de inteligência artificial numa tentativa clara de reduzir a dependência de fabricantes norte-americanos. Segundo os detalhes partilhados pelo The Information, a tecnológica procura contornar as atuais restrições de mercado com uma solução focada na execução de modelos de linguagem, inspirando-se na arquitetura utilizada pela Groq.
O desenvolvimento de silício à medida
O projeto encontra-se ainda na fase de conceito e design, com a empresa a avaliar arquiteturas baseadas em Arm e RISC-V. Ao invés de criar componentes para treinar sistemas complexos, o foco desta nova aposta recai sobre o processamento de inferência e a execução de modelos já existentes, uma área em que os agentes virtuais assumem cada vez mais importância.
Para evitar a necessidade de adquirir as dispendiosas memórias HBM a marcas como a Samsung, a ByteDance estabeleceu uma parceria com a InnoStar Semiconductor. Esta startup chinesa, que já recebeu investimentos da gigante da internet e da Alibaba, ficará responsável por fornecer a tecnologia de memória necessária para o projeto. Como a empresa não dispõe de equipas próprias dedicadas ao desenho de circuitos integrados, o trabalho técnico e o fabrico final serão entregues a parceiros externos.
Tensão geopolítica e mercado de hardware
A decisão de apostar em componentes proprietários surge num momento de intensa fricção política. Recentemente, o governo chinês proibiu a compra de componentes H200 Blackwell da NVIDIA como resposta aos recuos da administração Trump nos controlos de exportação tecnológica. Além disso, as alternativas no mercado revelam-se cada vez mais caras, com fabricantes dominantes como a Intel e a AMD a aumentar os preços a cada trimestre.
Embora os novos processadores Vera continuem a mostrar resultados promissores, representam mais uma dependência de uma empresa dos Estados Unidos. Contudo, esta não é a primeira incursão da marca asiática no mundo do hardware. O acelerador SeedChip, desenhado em colaboração com a TSMC em 2024, entra em produção em massa durante este ano. A curto prazo, os servidores da ByteDance continuarão a utilizar arquiteturas híbridas para manter plataformas como o assistente Doubao a funcionar, mas o objetivo definitivo passa por alcançar a total independência tecnológica face à indústria ocidental.












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