
A multinacional japonesa Nintendo foi sancionada em 35 milhões de euros pelas autoridades francesas devido a um defeito persistente nos comandos Joy-Con da consola Switch. Segundo as informações avançadas pelo jornal Le Monde, a Direção-Geral da Concorrência, Consumo e Repressão de Fraudes (DGCCRF) considerou o silêncio da empresa como uma prática comercial enganosa, uma vez que esta atitude desencorajou os clientes de recorrerem à assistência técnica, levando muitos a adquirirem novos equipamentos.
A investigação apurou que o fabricante nipónico ganhou conhecimento do problema ainda em 2018, mas optou por aguardar até 2020 para emitir comunicados sobre o assunto, após a pressão exercida por uma associação de defesa dos consumidores francesa. A disponibilização oficial de reparações gratuitas só veio a concretizar-se em 2023, na sequência de uma intervenção coordenada à escala europeia. Em declarações oficiais, a tecnológica negou qualquer intenção de ludibriar o público, sublinhando que o acordo alcançado não representa uma admissão de culpa, mas apenas a resolução amigável dos litígios.
O impacto do Joy-Con drift nos utilizadores
O fenómeno, que os jogadores apelidaram de "Joy-Con drift", decorre do desgaste natural dos manípulos analógicos e da entrada de resíduos nos sensores internos. Esta falha provoca movimentos involuntários e fantasmas das personagens no ecrã, prejudicando a experiência de jogo e, em situações extremas, tornando o aparelho inutilizável.
Apesar de a avaria não ter travado o sucesso comercial da Nintendo Switch, estima-se que tenha afetado uma grande fatia da comunidade. Os dados partilhados pela plataforma de reparação iFixit indicam que 40% dos proprietários deste modelo de hardware depararam-se com a anomalia. Como resultado, as plataformas de vídeo receberam imensos tutoriais com estratégias caseiras para mitigar o contratempo.
Linhas de montagem sobrecarregadas e a nova geração
A dimensão das avarias gerou uma forte pressão nos prestadores de serviços técnicos da marca. Relatórios da indústria indicam que, durante o ano de 2022, os subempreiteiros encarregues das reparações oficiais estavam de tal forma sobrecarregados que recebiam milhares de comandos todas as semanas para serem arranjados.
A mais recente consola da marca, a Switch 2, foi lançada no mercado em junho de 2025 e, até à data, não demonstra sinais de sofrer do mesmo problema nos seus controlos autónomos. No entanto, os peritos em eletrónica deixam um alerta, referindo que a tecnologia integrada nos novos manípulos é bastante semelhante à da sua antecessora, pelo que os componentes não se encontram totalmente imunes a falhas que possam surgir no decorrer dos próximos anos.












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