
A Microsoft corrigiu no início deste mês uma vulnerabilidade crítica no seu serviço Copilot Enterprise, que permitia a piratas informáticos roubar informações sensíveis de contas empresariais através de um simples clique num link malicioso. A falha, batizada de SearchLeak, já foi resolvida e afetava diretamente caixas de correio, OneDrive e SharePoint, expondo palavras-passe, detalhes de reuniões e documentos confidenciais.
Como funcionava o ataque SearchLeak
Os investigadores da empresa de segurança Varonis descobriram que a cadeia de ataque combinava três problemas distintos que, por si só, não representavam grande perigo. O primeiro passo consistia numa injeção de instruções através do parâmetro de pesquisa do URL. Ao contrário da versão normal que gera conteúdo, esta variante da inteligência artificial procura dados internos da empresa. Assim, os atacantes podiam criar um link que ordenava ao assistente para ler os emails da vítima, extrair o título e incorporar a informação num endereço de imagem. A vítima não precisava de escrever nada, bastando clicar na ligação.
O segundo passo aproveitava um erro de tempo na renderização de código HTML pelo navegador. O sistema processava o código bruto temporariamente antes de o envolver em blocos seguros, permitindo a execução rápida de uma etiqueta de imagem que acionava pedidos externos antes da conclusão do processo de limpeza. O golpe final era dado através de um pedido falsificado pelo motor de busca Bing na sua funcionalidade de pesquisa por imagem, que contornava as proteções da política de segurança de conteúdo e enviava a informação roubada para os servidores dos atacantes.
Correção aplicada e o novo papel das falhas antigas
A vulnerabilidade recebeu a identificação CVE-2026-42824 e a classificação máxima de gravidade. Como a correção já foi aplicada centralmente, os utilizadores não precisam de tomar nenhuma ação para se protegerem desta ameaça. Do ponto de vista da vítima, o único sinal de que algo estava a acontecer seria o assistente a processar a informação por breves instantes, sem qualquer indicação de que as suas informações estavam a ser extraídas para o exterior.
A Varonis sublinha que este caso serve de alerta para o mercado tecnológico. Erros antigos e fáceis de conter, como injeções de HTML e falsificações de pedidos do lado do servidor, podem agora ser transformados em armas potentes através da injeção de instruções na inteligência artificial. Na prática, estes novos sistemas criaram caminhos alternativos para explorar vulnerabilidades que, noutro contexto, teriam um impacto muito menor.












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