
O mercado global de óculos inteligentes iniciou um novo ciclo de expansão acelerada no primeiro trimestre de 2026, com os envios mundiais a atingirem as 3,566 milhões de unidades. Este volume representa um aumento homólogo de 130,1%, impulsionado pela procura crescente por dispositivos de áudio, câmaras integradas e ecrãs leves baseados em inteligência artificial. É precisamente neste cenário de forte dinamismo que a Xiaomi decidiu posicionar-se com o desenvolvimento dos seus novos óculos inteligentes.
Segundo os dados divulgados pela consultora IDC e partilhados pelo ITHome, o setor está a afastar-se dos wearables de som simples para abraçar produtos avançados capazes de reconhecer contextos e interagir com ecossistemas domésticos. A China consolidou-se como o terceiro maior mercado do planeta, somando 610 mil unidades enviadas, o que equivale a uma subida de 23,5% face ao ano anterior, impulsionada também pela inclusão destes dispositivos nos programas nacionais de subsídios comerciais.

Transição para a realidade aumentada e modelos com câmara
A estrutura interna das vendas demonstra uma transformação profunda nas preferências dos consumidores. Enquanto os óculos estritamente de áudio começam a perder tração, os modelos equipados com câmaras registaram uma explosão de popularidade, disparando 513,1% em território chinês e representando 43,4% do segmento de óculos de som. Os utilizadores procuram ferramentas que permitam registar imagens, traduzir conversas e receber assistência inteligente no quotidiano.

No campo da realidade aumentada e ecrãs portáteis, os envios cresceram 168,6%, mantendo uma quota trimestral superior a 90% nesta categoria específica. Este comportamento contrasta com a quebra acentuada de 58,8% nos equipamentos tradicionais de realidade virtual e mista, indicando que os óculos leves para utilização diária apresentam um potencial de consumo muito mais forte no curto prazo do que os dispositivos robustos e fechados.
Aposta da Xiaomi com assistente de inteligência artificial
Os novos óculos de IA da fabricante surgem no momento exato desta viragem tecnológica da indústria. Disponíveis para já na China continental, estes óculos foram desenhados para funcionar como um assistente digital permanente, integrando-se de forma direta com o sistema operativo HyperOS da marca.
Através do comando de voz para ativar a assistente multimodal Xiao Ai, os utilizadores podem realizar o reconhecimento de objetos, contagem de calorias e colocar questões gerais em tempo real. A empresa posiciona o dispositivo como uma central portátil de controlo doméstico, permitindo gerir diversos aparelhos compatíveis da plataforma Mi Home sem necessidade de recorrer ao ecrã do telemóvel. Embora as funções principais dependam atualmente deste ecossistema regional, o lançamento reflete a rapidez com que a tecnologia de assistência contextual está a ser integrada em acessórios de uso diário.












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