
A Epic Games está a dar passos significativos para melhorar o suporte do seu sistema Easy Anti-Cheat no sistema operativo Linux. A empresa publicou recentemente uma oferta de emprego para um engenheiro de segurança, com o objetivo claro de liderar e impulsionar as capacidades de deteção de batotas nesta plataforma, o que pode abrir portas para a chegada de títulos populares como Fortnite e Rocket League a vários dispositivos portáteis e de sala.
Um perfil altamente técnico para combater batotas
A vaga destina-se a um engenheiro de segurança sénior para a equipa de Anti-Cheat, integrada no ecossistema dos serviços online da produtora. O profissional procurado terá de lidar tanto com os jogos da própria empresa como com títulos de terceiros que utilizam a sua tecnologia.
A descrição do cargo é bastante específica, exigindo conhecimentos profundos da arquitetura interna do Linux e do Windows, bem como experiência em engenharia reversa x86-64, segurança em programação C e C++, análise de software malicioso e métodos modernos de deteção de fraudes. Na prática, a empresa procura alguém capaz de compreender o funcionamento das batotas a um nível muito baixo e de adaptar as defesas para um ambiente que tradicionalmente levanta sérios desafios nos jogos competitivos.
Embora o suporte do Easy Anti-Cheat para Linux, macOS e Proton já exista desde 2021, a sua ativação não é automática. O processo depende inteiramente de cada estúdio de desenvolvimento, da sua tolerância ao risco e da vontade de suportar plataformas alternativas de forma oficial. A tecnologia protege atualmente mais de 20 mil milhões de sessões por ano em mais de 200 jogos, abrangendo cerca de 35 milhões de jogadores mensais. No entanto, a existência da ferramenta não garante que os grandes títulos multijogador a ativem fora do ambiente Windows.
O obstáculo da confiança no ecossistema Linux
O grande entrave para a adoção em massa continua a ser a arquitetura do próprio sistema operativo. O CEO da empresa, Tim Sweeney, referiu em 2022 que não havia confiança suficiente para combater as batotas em larga escala numa variedade tão grande de configurações de kernel personalizadas, justificando assim a ausência do Fortnite. A indústria partilha deste receio, visto que o Linux é mais aberto, altamente modificável e mais difícil de padronizar para fins de segurança competitiva.
Outros estúdios tomaram decisões bastante semelhantes ao longo do tempo. O Apex Legends chegou a funcionar de forma nativa, mas a produtora bloqueou o acesso aos jogadores de Linux em 2024, afirmando que o sistema operativo se tinha tornado numa porta de entrada para vulnerabilidades e ferramentas de fraude difíceis de detetar. O mesmo aconteceu com o jogo Rust, onde os criadores rejeitaram planos de suporte oficial em 2025, argumentando que o custo de manutenção não compensava devido à base reduzida de utilizadores e ao vetor adicional de ataque que representava.
Com esta nova contratação, a produtora pretende reforçar a fiabilidade das suas defesas através de telemetria, análise de comportamento e validação de ambiente. Se a estratégia for bem-sucedida, poderá dar a confiança necessária aos estúdios que hoje encaram estes sistemas alternativos como uma superfície de ataque indesejada. Este avanço tecnológico seria fundamental para garantir o futuro e a viabilidade de qualquer nova Steam Machine ou consolas baseadas em arquiteturas abertas, quebrando o monopólio histórico estabelecido no mercado dos videojogos competitivos.












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