
Os investidores que decidiram apostar contra o desempenho financeiro da SpaceX expandiram significativamente as suas posições nas últimas semanas, acumulando ganhos teóricos que superam os 3,5 mil milhões de euros (cerca de 3,88 mil milhões de dólares). Conforme avançado pela CNBC e pela Bloomberg, os títulos da empresa estão a ser negociados em torno dos 131 dólares (aproximadamente 120 €), fixando-se abaixo do valor inicial da sua oferta pública inicial (IPO), que foi de 135 dólares. Esta movimentação reflete um arrefecimento visível no entusiasmo que marcou a estreia da tecnológica no mercado financeiro.
Pressão das posições curtas atinge níveis recorde
De acordo com os dados fornecidos pela consultora S3 Partners, existem atualmente perto de 185 milhões de ações da SpaceX vendidas a descoberto. Este volume representa cerca de 29% dos papéis que se encontram disponíveis para negociação pública. Trata-se de um salto considerável em comparação com o cenário de há três semanas, período em que essa percentual oscilava de forma tímida entre os 5% e os 7%.
Ihor Dusaniwsky, diretor-gerente da S3 Partners, explicou em declarações à imprensa que este volume de posições curtas se assume como um dos maiores alguma vez registados para uma empresa durante o seu primeiro mês de atividade em bolsa. A desvalorização recente atraiu investidores que tentam lucrar com a queda, motivados também pela proximidade do fim dos prazos de bloqueio de venda de títulos.
Desbloqueio de ações e polémicas com a xAI geram incerteza
A perspetiva de curto prazo deixa o mercado financeiro em alerta devido à expiração iminente dos períodos de "lock-up". Até dezembro de 2026, cerca de metade das ações totais da companhia será libertada para negociação, permitindo que executivos e investidores da fase inicial vendam os seus ativos. Se uma fatia expressiva decidir liquidar as suas posições, a entrada massiva de novos títulos poderá acentuar a volatilidade e empurrar as cotações para valores ainda mais baixos.
O ceticismo dos analistas é igualmente alimentado por dúvidas sobre o plano de negócios desenhado por Elon Musk, que inclui a intenção de construir centros de dados de inteligência artificial em órbita. No ano passado, a tecnológica registou um prejuízo de quase 5 mil milhões de dólares (cerca de 4,6 mil milhões de euros), intensificando os pontos de interrogação sobre a sua capacidade real de gerar lucro contínuo.
A nível reputacional, a decisão de associar a empresa espacial à startup xAI também começou a cobrar o seu preço junto do mercado. A empresa acabou por ser afetada pelas controvérsias em torno do chatbot Grok, que esteve no centro de fortes críticas após a criação em massa de imagens explícitas não consensuais de figuras públicas. Para quem investe no setor, este conjunto de fatores práticos e éticos parece ter quebrado a blindagem que o mediatismo da exploração espacial costumava garantir aos negócios de Musk.












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