
A Trustpilot, uma das mais conhecidas plataformas de opiniões online, foi sancionada em Itália com uma pesada multa de quatro milhões de euros. A decisão da AGCM, a autoridade italiana da concorrência e do consumo, assenta na acusação de que a empresa está a realizar práticas comerciais desleais por não aplicar os controlos necessários para garantir a verdadeira autenticidade das opiniões publicadas pelos utilizadores. Esta informação foi avançada pela Reuters.
O impacto da falta de transparência no mercado
O problema central apontado pelo regulador italiano não se limita apenas à existência de críticas falsas, mas incide numa falha estrutural no próprio sistema. A autoridade defende que a plataforma permite que as empresas escolham especificamente quais os clientes que recebem convites para deixar uma opinião. Esta prática acaba por distorcer a representatividade real da pontuação que é apresentada aos consumidores, mesmo nas avaliações que ostentam o selo de “verificadas”.
Além disso, a AGCM acusa a Trustpilot de não ser clara quanto ao funcionamento da sua própria plataforma, ocultando detalhes essenciais sobre que empresas utilizam os seus serviços pagos e as ferramentas disponíveis para os interpretar. O regulador chega mesmo a mencionar a utilização de padrões obscuros nas interfaces para dificultar a análise correta por parte dos utilizadores. O anúncio desta sanção teve repercussões financeiras imediatas, resultando numa quebra de cerca de 2,5% do valor das ações da empresa na bolsa.
Histórico de acusações e a defesa da plataforma
Esta penalização junta-se a um histórico recente de controvérsias em torno da empresa. No passado mês de dezembro de 2025, a firma de investigação financeira Grizzly Research acusou a Trustpilot de criar perfis negativos falsos, numa tentativa de pressionar os vários negócios a contratarem as suas subscrições pagas. Embora a plataforma tenha rejeitado as alegações como falsas, o processo PS12962, aberto pela AGCM em julho de 2025, veio intensificar as dúvidas sobre a fiabilidade e a transparência antes de fazer compras na web.
A situação reflete também uma preocupação alargada no espaço europeu, já que a Comissão Europeia alertou em 2022 que pelo menos 55% dos sites de avaliações analisados poderiam estar a violar as normas devido à falta de informação fiável. Em sua defesa, a Trustpilot argumenta que exige uma conduta neutra e imparcial às empresas que usam a ferramenta. De acordo com o seu Trust Report de 2025, a empresa indica ter removido 4,5 milhões de avaliações falsas durante o ano de 2024, o equivalente a 7,4% de todas as opiniões submetidas, garantindo ainda que elimina automaticamente mais de 90% das participações fraudulentas detetadas. Contudo, para o regulador italiano, a arquitetura de confiança da plataforma continua a ser insuficiente e capaz de induzir os consumidores em erro.












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