
Várias organizações governamentais e empresariais na Europa e nos Estados Unidos tornaram-se o alvo de uma campanha avançada de ciberespionagem russa. De acordo com um relatório publicado pela empresa de segurança informática Proofpoint, o grupo estatal conhecido como Laundry Bear (ou Void Blizzard) está a aproveitar uma vulnerabilidade no Outlook Web Access para instalar um vírus especializado nas redes das vítimas.
A mecânica do ataque por clique parcial
A falha de segurança, registada como CVE-2026-42897, baseia-se numa limpeza incorreta do código HTML no corpo das mensagens que entram no servidor Microsoft Exchange. Isto permite a execução de comandos JavaScript assim que o utilizador abre a mensagem na aplicação web. Os investigadores apelidam esta técnica de "exploit de clique parcial", uma vez que dispensa a abertura de anexos ou ligações para infetar o sistema.
Para atrair os alvos, os piratas utilizam temas banais de engenharia social, como análises de cadeias de abastecimento ou indicadores de mercados energéticos e turísticos. Esta abordagem destina-se a fazer com que a vítima abra o ecrã de leitura sem desconfiar, ativando o carregamento do malware batizado como OWAReaper.
Espionagem avançada e persistência no servidor
Uma vez ativo no ecrã de leitura, o OWAReaper recorre a APIs do próprio serviço de correio eletrónico para reescrever a mensagem original no servidor, eliminando o código malicioso para ocultar a sua presença. O programa consegue ainda desativar temporariamente as janelas de aviso do ecrã e a função do botão direito do rato enquanto recolhe dados da conta, incluindo nomes de utilizador e configurações de segurança.
O grupo consegue manter o controlo do acesso à caixa de correio das vítimas mesmo após a alteração de palavras-passe ou a reinstalação completa dos computadores. O código malicioso analisa os suplementos instalados no Outlook que possuem permissões de leitura e escrita, utilizando-os para obter tokens de autenticação OAuth. Com estes dados, altera as permissões do utilizador padrão no servidor, garantindo privilégios de proprietário em todas as pastas de e-mail a partir de qualquer conta interna da organização.
Canais redundantes para fuga de informação
Os criadores do OWAReaper integraram sistemas redundantes para receber ordens e extrair a informação roubada. O vírus verifica diariamente mensagens cifradas publicadas em repositórios do GitHub que correspondam ao endereço eletrónico do alvo. Em alternativa, analisa a base de dados local IndexedDB do navegador para extrair instruções enviadas diretamente em mensagens formatadas em Base64.
A transferência de dados confidenciais para os servidores dos atacantes recorre principalmente a ligações HTTPS cifradas, mascaradas através de redes de distribuição de conteúdos de imagens. Caso este método primário falhe, o sistema ativa mecanismos secundários de envio direto ou recorre a pedidos DNS codificados. Esta redundância assegura a continuidade da espionagem, dificultando a deteção pelas ferramentas de segurança tradicionais.












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