
O portal Cosmos, gerido pela Agência Espacial Europeia (ESA), está a ser explorado por piratas informáticos para alojar centenas de documentos fraudulentos. A plataforma, dedicada à exploração espacial, tornou-se num veículo para promover serviços ilícitos de IPTV e outros esquemas, tirando partido da elevada reputação do domínio para dominar os resultados de pesquisa.
Segundo avançou o TorrentFreak, os ficheiros em formato PDF estão a ser indexados lado a lado com atualizações oficiais de missões como a da sonda Gaia (desligada em março de 2025), Euclid ou XMM-Newton. O arquivo científico da ESA, que conta com mais de um petabyte de dados, apresenta agora listas como "Top 10 IPTV Providers Right Now: The Definitive 2026 Rankings", direcionadas a utilizadores que procuram mensalidades baratas.
O peso da autoridade nos motores de busca
A tática não é nova, mas demonstra um elevado nível de eficácia graças ao histórico do domínio .int da agência. Quem procurar pelas melhores subscrições premium de IPTV para Android vai deparar-se com o site da ESA como primeiro resultado. O Google não só posiciona estes documentos no topo, como chega mesmo a destacá-los nos blocos de respostas automáticas geradas por inteligência artificial (AI Overview).

Os atacantes também inundaram o repositório com outro tipo de iscos comuns na internet, incluindo promessas de seguidores gratuitos no Instagram, códigos para "Robux" grátis e guias para o jogo móvel "Coin Master". Estas falsas ofertas têm frequentemente o objetivo de extrair dados ou pagamentos ocultos aos utilizadores mais desatentos, sendo vivamente desaconselhada a visita aos links presentes nestes ficheiros.
Falha de segurança e antecedentes europeus
A documentação da Agência Espacial Europeia indica que apenas utilizadores com permissões de edição podem fazer carregamentos para o portal Cosmos. O volume massivo de spam sugere que os atacantes descobriram uma vulnerabilidade na infraestrutura. A publicação original tentou contactar a organização, mas o conteúdo continua acessível online.
Este incidente partilha semelhanças com uma intrusão que atingiu o portal Eurostat, da Comissão Europeia, no ano passado. Em 2025, o site estatístico europeu sofreu uma injeção de ficheiros idêntica, que colocou PDFs fraudulentos no topo das pesquisas por fornecedores de IPTV. O caso realça como as plataformas institucionais continuam a ser alvos de alto valor para manobras de manipulação de SEO (Search Engine Optimization), exigindo auditorias rigorosas para proteger os visitantes de esquemas paralelos.












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