
A OpenAI não poupou nas palavras para descrever a recente ação judicial movida pela Apple. Numa extensa publicação partilhada esta segunda-feira, dia 3 de agosto, a criadora do ChatGPT classificou o processo como "descuidado, agressivo e estranhamente pessoal", segundo avançou a Reuters, afirmando que a postura contradiz a reputação detalhista da marca.
A disputa teve início em julho, quando a queixosa acusou ex-funcionários de roubarem projetos e tecnologias secretas ao transitarem para a provedora de inteligência artificial.
O mito do roubo e o acesso residual
Para desmontar as acusações, a defesa revelou históricos de e-mails e conversas de Chang Liu, um dos visados na denúncia. Os documentos mostram que não foi Liu a procurar extrair informações da antiga empregadora; foram, pelo contrário, colaboradores da própria empresa a pedir-lhe ajuda para localizar ficheiros.
A justificação para isto reside num problema crónico classificado como "acesso residual". Ex-colaboradores mantêm frequentemente privilégios nos sistemas por falhas da gestão interna, o que os deixa com acesso a dados confidenciais sem qualquer intenção. Quanto a Tang Yew Tan, outro ex-funcionário citado no processo por alegadamente pedir que candidatos levassem componentes reais para entrevistas, a empresa rejeita a acusação e garante que o profissional sempre deixou claro não utilizar informações de terceiros.
E-mails para o destinatário errado
O conflito ganha contornos insólitos devido a erros processuais. A entidade acusadora alegou ter tentado contactar a rival em fevereiro sem sucesso, mas o motivo foi simples: os advogados enviaram o e-mail para a pessoa errada após confundirem dois apelidos asiáticos. O equívoco apenas foi admitido após o alerta da própria recetora.

As tentativas de diálogo roçaram a disfuncionalidade. Foi referido um contacto com o Diretor Jurídico da outra parte, um encontro que, segundo a acusada, nunca chegou a acontecer. Nas reais interações anteriores, a intenção comunicada era apenas a de "resolver quaisquer questões", omitindo em absoluto as alegações que agora sustentam a queixa em tribunal.
Providência cautelar e os próximos passos
Mesmo com a apresentação desta defesa pública e a garantia de que não existe qualquer interesse em segredos comerciais alheios, a batalha legal está apenas a começar nos Estados Unidos. A acusadora avançou com um pedido de providência cautelar para impedir imediatamente que Liu e Tan acedam, usem ou divulguem qualquer material alegadamente confidencial.
O tribunal tem agora a tarefa de ouvir diversas testemunhas, incluindo Chang Liu, Tang Yew Tan, o funcionário Yu-Ting Peng e um outro colaborador ainda não identificado. Representantes da io Products, o braço comercial comandado por Jony Ive, também foram chamados a depor. Para o mercado, este conflito aberto entre duas titãs da tecnologia espelha a enorme pressão e agressividade que pauta atualmente o setor da inteligência artificial.












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