
A criadora do ChatGPT planeia realizar uma Oferta Pública Inicial (IPO) em 2027, mas a estreia no mercado de valores pode acontecer mais cedo caso os negócios continuem a evoluir de forma positiva. A intenção foi partilhada por Sarah Friar, diretora financeira da organização, durante uma reunião com os funcionários realizada na passada quarta-feira, 19 de agosto.
Segundo a informação detalhada pela CNBC, a executiva sublinhou que "o IPO não é uma linha de chegada, é um marco, mais uma captação de recursos". A entidade já enviou documentos de forma confidencial à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) em junho, e procura agora responder à pressão dos investidores para justificar a sua avaliação de 852 mil milhões de dólares.
A corrida milionária frente à Anthropic
A possível estreia na bolsa surge num clima de intensa rivalidade no setor tecnológico. A principal concorrente, a Anthropic, também submeteu documentação aos reguladores sob sigilo e iniciou os primeiros contactos com potenciais investidores. Perante o cenário de a rival chegar primeiro à bolsa, Friar procurou tranquilizar a equipa, afirmando que "tudo bem, estamos a seguir o nosso próprio caminho".
Os indicadores financeiros partilhados na reunião refletem um crescimento robusto em várias áreas. A receita global avançou 35% no acumulado do trimestre, com a divisão corporativa a dar um salto de 50%. No segundo trimestre, as receitas fixaram-se nos 6,7 mil milhões de dólares, correspondendo a uma subida de 18% face aos três meses anteriores. Com estes resultados, a receita anualizada da OpenAI já ultrapassou a barreira dos 40 mil milhões de dólares.
A concorrente direta apresenta números ainda mais expressivos na sua operação. A Anthropic informou os seus investidores que a receita anualizada atingiu os 65 mil milhões de dólares no final de julho, um valor sete vezes superior ao registado um ano antes. A empresa apresentou ainda uma estimativa preliminar de 11,5 mil milhões de dólares em receitas relativas ao segundo trimestre.
Mudanças na liderança não travam adoção
As pressões financeiras e a necessidade de competir contra modelos de inteligência artificial de código aberto cruzam-se com um período de instabilidade na administração. Denise Dresser abandonou recentemente o cargo de diretora de receita, apenas oito meses após a sua integração na equipa. Esta saída ocorreu dois dias depois de Brad Lightcap, um executivo com oito anos de casa, ter anunciado a sua despedida. Em julho, Fidji Simo, diretora de negócios de produto, já tinha deixado as suas funções para se concentrar na recuperação de uma doença crónica.
Greg Brockman, presidente da empresa, minimizou o impacto destas movimentações numa entrevista recente. O responsável argumentou que as saídas não são "na verdade tão atípicas", atribuindo o peso mediático ao facto de a organização estar "muito mais em evidência" na atualidade. No campo operacional, os produtos mantêm a tração esperada no mercado: as ferramentas de inteligência artificial vocacionadas para a programação e trabalho já contam com 20 milhões de utilizadores ativos semanais.







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