
Enquanto o Ocidente continua a debater a ansiedade da autonomia e a falta de infraestrutura, a China parece ter encontrado a fórmula para massificar a mobilidade elétrica. O país asiático não só oferece uma variedade quase infinita de modelos a preços acessíveis no seu mercado interno, como acaba de atingir um marco histórico na sua rede de abastecimento. Em 2025, a China ultrapassou a barreira dos 20 milhões de carregadores para veículos elétricos, consolidando a sua posição dominante no setor.
Os números, revelados pela Administração Nacional de Energia da China (NEA), mostram uma escala difícil de imaginar noutras geografias. Do total de pontos de carregamento, cerca de 4,7 milhões são públicos, enquanto os restantes 15,35 milhões são privados, uma infraestrutura capaz de suportar até 40 milhões de veículos plug-in.
No entanto, o dado mais impressionante não é o total acumulado, mas a velocidade alucinante com que foi alcançado. Para colocar em perspetiva: a China demorou 13 anos, desde a instalação do primeiro carregador, até atingir o primeiro milhão em 2019. Depois, foram precisos mais cinco anos para chegar aos 10 milhões. Agora, num feito de engenharia e logística sem precedentes, o país duplicou esse número, passando de 10 para 20 milhões em apenas 18 meses.
Potência e cobertura em aceleração
Não é apenas a quantidade que está a aumentar; a qualidade e a velocidade do serviço também deram um salto significativo. A potência média de carregamento subiu 33% em 2025 face ao ano anterior, fixando-se nos 46,5 kW. Este valor é particularmente notável se considerarmos que cerca de três quartos destes equipamentos são carregadores privados, que tipicamente não ultrapassam os 7 kW ou 11 kW, com as unidades domésticas de nível 2 a ficarem-se pelos 22 kW.
A China detém atualmente os carregadores mais potentes do mundo, com capacidades que podem chegar a 1 megawatt. Esta tecnologia permite, por exemplo, que alguns modelos da BYD recuperem a autonomia quase total em cerca de cinco minutos, eliminando uma das principais barreiras à adoção dos elétricos.
O relatório da NEA destaca ainda o esforço na cobertura territorial: foram adicionados 71.500 carregadores nas áreas de serviço das autoestradas nacionais, garantindo agora uma cobertura de 98%. Além disso, 19 províncias terão atingido a "cobertura total" de instalações de carregamento em cada município, um sinal claro de que a eletrificação chegou ao interior do país.
Mudança de estratégia governamental
Este crescimento explosivo não acontece por acaso, mas é fruto de uma mudança estratégica nas políticas públicas. Com o mercado de veículos elétricos já amadurecido, a China tem vindo a reduzir os incentivos diretos à compra — que, segundo a Reuters, terminaram completamente em algumas áreas em 2025 — para focar o apoio na infraestrutura.
O governo chinês subsidia agora até 30% do custo de construção de novas estações de carregamento, incentivando uma expansão rápida e capilar da rede.
Em comparação, os números no Ocidente mostram uma realidade distinta. Na Europa, existem agora mais de 1 milhão de carregadores públicos, mas a densidade média continua inferior à chinesa. Já nos Estados Unidos, os dados do final de 2025 apontavam para cerca de 173.000 postos públicos de corrente alternada (AC) e 68.000 de carregamento rápido (DC), com previsões de que este último número possa chegar aos 90.000 até ao final de 2026.










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