
A AdGuard decidiu dar um passo significativo na luta pela privacidade online ao disponibilizar o código-fonte do seu protocolo de VPN exclusivo, o TrustTunnel. Esta tecnologia foi desenhada com um objetivo muito específico: disfarçar o tráfego de rede para que se pareça com uma navegação web comum, contornando assim as medidas de censura cada vez mais sofisticadas impostas por governos e fornecedores de internet.
À medida que a utilização de redes privadas virtuais cresce globalmente, também aumentam os esforços para identificar e bloquear estas ligações. Protocolos tradicionais, como o WireGuard ou o OpenVPN, embora seguros, possuem "assinaturas" digitais que são facilmente reconhecíveis por sistemas de inspeção profunda de pacotes. O TrustTunnel procura resolver este problema tornando o tráfego praticamente indistinguível do acesso normal a um site seguro.
Uma camuflagem digital baseada em HTTP
O grande trunfo do TrustTunnel reside na sua arquitetura. Ao contrário das soluções convencionais, este protocolo utiliza HTTP/2 e HTTP/3 sobre TLS (Transport Layer Security). Na prática, isto significa que, para quem está a monitorizar a rede, os dados transmitidos pela VPN assemelham-se ao tráfego HTTPS padrão que geramos ao visitar qualquer site seguro, como um banco ou uma loja online.
Esta abordagem dificulta drasticamente a tarefa dos operadores de rede que tentam limitar a largura de banda ou bloquear o acesso a conteúdos baseando-se no tipo de protocolo detetado. Segundo a informação partilhada pela AdGuard, esta tecnologia não só ajuda a evitar a censura, como também promete ligações mais rápidas e estáveis, uma vez que o uso de múltiplos fluxos em HTTP/2 e HTTP/3 reduz o congestionamento no lado do servidor.
Transparência e controlo total
A decisão de tornar o projeto open source permite agora que a comunidade de programadores e especialistas em segurança possa auditar, verificar e sugerir melhorias ao código. Esta transparência é vital para fortalecer a confiança na ferramenta, garantindo que não existem portas das traseiras ou falhas de segurança ocultas.
Para além da segurança, o protocolo oferece funcionalidades avançadas de personalização. Os utilizadores podem definir regras de encaminhamento específicas, decidindo que aplicações ou sites devem passar pelo túnel encriptado e quais devem usar a ligação direta. A empresa lançou também uma aplicação cliente dedicada para iOS e Android, permitindo que utilizadores avançados se liguem aos seus servidores domésticos protegidos pelo TrustTunnel, uma funcionalidade que já se encontra disponível nas respetivas lojas de aplicações.












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