
A indústria automóvel europeia, e em particular o gigante alemão Volkswagen, acaba de receber um "balão de oxigénio" financeiro graças à flexibilização das metas de emissões da União Europeia. De acordo com novos cálculos da Dataforce e do ICCT (Conselho Internacional de Transporte Limpo), se as regras originais se tivessem mantido inalteradas, vários fabricantes enfrentariam penalizações astronómicas, com a VW à cabeça da lista de devedores.
O cenário original previa limites anuais rigorosos para as emissões de dióxido de carbono. No entanto, numa decisão tomada em 2025 após proposta da Comissão, a UE alterou o método de avaliação: os construtores deixaram de ser obrigados a cumprir as metas anualmente, passando a ser avaliados pela média das emissões durante o triénio de 2025 a 2027. Esta mudança significa que um deslize em 2025 não implica uma multa imediata, desde que o desempenho melhore nos dois anos seguintes.
Esta alteração regulatória evitou um rombo nas contas da Volkswagen. Segundo os dados avançados pelo Der Spiegel, baseados nas análises do ICCT, o grupo alemão teria enfrentado uma multa hipotética que poderia ascender aos 2,2 mil milhões de euros. Mesmo nas estimativas mais conservadoras da Dataforce, o valor rondaria os 1,7 mil milhões de euros.
BMW destaca-se pela positiva
Enquanto a maioria dos fabricantes alemães lutava contra os limites de emissões, a BMW surgiu como um caso de sucesso isolado. As análises indicam que a marca de Munique foi o único construtor alemão a cumprir as suas metas de CO2 para 2025 sem necessitar de "malabarismos" contabilísticos ou adiamentos.
Os dados da Dataforce revelam que a BMW atingiu uma média de 90,3 g/km, ficando confortavelmente abaixo do seu limite específico de 93,9 g/km. Este desempenho coloca a marca num grupo restrito de cumpridores, ao lado de fabricantes focados exclusivamente ou maioritariamente em veículos elétricos, como a Tesla, a BYD e a Leapmotor. A Toyota também conseguiu cumprir os objetivos, ficando ligeiramente abaixo do seu limite, embora os números oficiais finais ainda estejam por confirmar.
A estratégia dos consórcios e o impacto nos elétricos
Para as marcas que não conseguiram cumprir as metas sozinhas, a solução passou pela formação de consórcios ou "pools" de emissões. A Mercedes, por exemplo, teria falhado o seu objetivo individual, o que resultaria numa multa teórica superior a 700 milhões de euros. No entanto, ao juntar-se ao grupo Geely — que inclui marcas como a Volvo, Polestar e Zeekr, com fortes vendas de elétricos — a média conjunta baixou drasticamente, permitindo à Mercedes evitar penalizações diretas, embora provavelmente tenha de compensar financeiramente os seus parceiros de consórcio.
O mesmo aconteceu com o grupo Stellantis. Apesar de ter excedido o seu limite, a integração no "consórcio Tesla" (que inclui também a Honda e a Jaguar Land Rover) permitiu diluir as emissões excessivas graças ao volume de vendas de carros elétricos da marca norte-americana. Sem esta manobra, a Stellantis poderia ter enfrentado uma multa superior a mil milhões de dólares.
Esta flexibilidade nas regras teve, contudo, um efeito colateral no mercado. Peter Mock, diretor do ICCT na Europa, estima que, sob o regulamento original mais rígido, os fabricantes teriam sido forçados a registar cerca de 500.000 veículos elétricos adicionais para evitar as multas. Com a pressão aliviada, a urgência em promover descontos agressivos ou realizar auto-registos de viaturas elétricas diminuiu significativamente.












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