
Parecia o cenário de um pesadelo para a gigante de Cupertino: os primeiros relatórios sobre a adesão ao iOS 26 indicavam números desastrosos, sugerindo que os utilizadores estavam a rejeitar massivamente a atualização. No entanto, tudo não passou de um mal-entendido técnico provocado, ironicamente, pelas próprias medidas de segurança do sistema.
Afinal, a culpa desta confusão recai sobre uma funcionalidade avançada de privacidade que funcionou "bem demais", levando plataformas de análise como a StatCounter a subestimarem drasticamente a base de utilizadores atualizada.
O "disfarce" do Safari baralhou as contas
O cerne da questão reside na forma como o navegador da Apple comunica com a web. O novo sistema operativo introduziu mecanismos para combater o fingerprinting — uma técnica intrusiva usada por publicitários para identificar utilizadores com base nas especificações do seu dispositivo, como o tamanho do ecrã, fontes instaladas e, claro, a versão do software.
Para proteger o anonimato dos seus clientes, o iOS 26 mente deliberadamente sobre a sua identidade. Por exemplo, um dispositivo a correr o iOS 26.2 identifica-se perante os sites como sendo o antigo iOS 18.7. Da mesma forma, o iOS 26.1 faz-se passar pelo iOS 18.6.
Esta camuflagem, desenhada para baralhar os rastreadores de publicidade, acabou por enganar também as ferramentas legítimas de estatística, que atiraram milhões de utilizadores com o software mais recente para a coluna das versões obsoletas.
Os números reais da adesão
A situação foi clarificada quando a StatCounter aplicou uma correção aos seus algoritmos de leitura no passado dia 19 de janeiro. Os dados revistos pintam agora um cenário completamente diferente e muito mais positivo para a marca da maçã: a taxa de adoção do iOS 26 situa-se nos 52,6%.
Estes valores são corroborados por outras empresas de análise, como a TelemetryDeck, que aponta para uma presença de 54,8% em dispositivos ativos. Ao compararmos com os anos anteriores, percebemos que a atualização está dentro da normalidade: o iOS 17 tinha 54% de instalação no mesmo período, enquanto o iOS 16 registava 62%.
Apesar de algumas críticas nas redes sociais sobre o novo design da interface, os dados confirmam que a maioria dos utilizadores continua a atualizar os seus equipamentos ao ritmo habitual. A narrativa de fracasso foi, afinal, um efeito colateral de um Safari mais privado e seguro, conforme detalhado pelo Cult of Mac.












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