
As autoridades italianas acabam de desferir um golpe massivo no mundo do streaming ilegal. Numa operação internacional de grande escala, denominada "Operation Switch Off", foi desmantelada uma rede global de IPTV apenas uma semana antes da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. A ação, que envolveu rusgas em 11 cidades italianas e a cooperação de 14 países, visou infraestruturas críticas e revendedores que serviam milhões de utilizadores em todo o mundo.
Nenhum outro país na Europa gera tanto ruído em torno do combate físico ao streaming ilegal como a Itália. Esta nova ofensiva, liderada pelo Ministério Público de Catânia e pela Polícia Postal Italiana, contou com o apoio da Eurojust, Europol e Interpol, resultando na identificação de 31 suspeitos principais.
Uma rede que gerava milhões em receitas ilícitas
Os números por trás desta operação são impressionantes. As autoridades estimam que a rede desmantelada gerava entre 8 a 10 milhões de euros em receitas ilícitas todos os meses. Só em Itália, mais de 125 mil utilizadores viram os seus serviços subitamente desligados, mas o impacto global afeta milhões de subscritores.
Embora o comunicado oficial da polícia não tenha divulgado nomes específicos, várias fontes confirmam que serviços populares como o IPTVItalia, DarkTv e migliorIPTV foram diretamente afetados. Além do corte no sinal de vídeo, os painéis de revendedores e as contas de Telegram associadas à gestão destas redes foram retirados do ar, num esforço coordenado para travar a pirataria audiovisual.
A infraestrutura técnica desta rede era complexa e desenhada para evadir a aplicação da lei. A operação revelou a existência de uma "quinta de cartões SIM" em Nápoles, utilizada para criar bots no Telegram, bem como servidores estrategicamente localizados no leste europeu e num país africano não identificado.
Proteção preventiva para os Jogos Olímpicos
O momento escolhido para esta intervenção não foi coincidência. Andrea Abodi, Ministro do Desporto e Juventude de Itália, ligou diretamente a operação ao evento desportivo que se avizinha. A ação é vista como uma medida preventiva e proativa para proteger o mercado de transmissão televisiva durante os Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026.
A investigação que culminou nesta semana teve origem na análise forense de dados recolhidos durante a "Operation Taken Down", realizada em novembro de 2024. Durante mais de um ano, os investigadores extraíram dados de dispositivos apreendidos, rastrearam fluxos de criptomoedas e monitorizaram canais de comunicação para mapear toda a organização criminosa.
Esta operação consolida a posição de Itália como um dos países mais ativos no combate ao streaming ilegal, algo que tem sido elogiado por grupos de detentores de direitos de autor, como detalhado pelo TorrentFreak.












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