
Estamos em fevereiro de 2026 e o relógio não para. Se a promessa é um lançamento nos "primeiros meses do ano", a matemática é simples: a Valve tem até ao final de março para colocar o seu novo hardware nas prateleiras. A confirmação chegou pela voz de Lisa Su, CEO da AMD, durante a apresentação dos resultados financeiros do quarto trimestre de 2025.
Enquanto a Valve se mantém num silêncio estratégico sobre datas concretas, a parceira tecnológica não deixou margem para dúvidas. Lisa Su garantiu aos investidores que, do ponto de vista da produção e do produto, a empresa de Gabe Newell está a cumprir rigorosamente o calendário para iniciar o envio da nova geração da Steam Machine no início de 2026. Com o calendário a avançar rapidamente, a janela de oportunidade para cumprir esta meta está a estreitar-se a cada dia que passa.
O que esconde o cubo da Valve?
Ao contrário da portabilidade que tornou a Steam Deck um sucesso global, a nova Steam Machine aposta num formato fixo. Descrita como um computador compacto e cúbico desenhado especificamente para a sala de estar, a máquina promete trazer o poder do PC gaming para o sofá.
No interior deste cubo encontra-se um "coração" poderoso: um processador AMD Zen 4 semi-personalizado de seis núcleos, acompanhado por uma arquitetura gráfica RDNA 3. A GPU, equipada com 28 Unidades de Computação e 8GB de VRAM GDDR6, tem como objetivo entregar uma experiência de jogo em resolução 4K a 60 frames por segundo, auxiliada pela tecnologia de upscaling FSR. O sistema fica completo com 16GB de memória RAM.
O software continua a ser um pilar central, com o sistema a correr o SteamOS, baseado em Arch Linux. Esta escolha reafirma a filosofia de plataforma aberta da Valve, permitindo aos utilizadores tratarem a consola como um PC convencional, fugindo às restrições dos ecossistemas fechados das consolas tradicionais. Além disso, o ecossistema será expandido com novos periféricos, incluindo o regresso do Steam Controller e a estreia do headset de realidade virtual Steam Frame.
Contexto financeiro e o preço a pagar
O lançamento surge num momento crucial para a AMD. Apesar de ter reportado um crescimento de 50% nas receitas anuais de gaming, atingindo os 843 milhões de dólares, a empresa prevê uma queda de dois dígitos nas receitas de chips semi-personalizados durante 2026. Com o atual ciclo de consolas a entrar no seu sétimo ano e a sucessora da Xbox prevista apenas para 2027, a nova aposta da Valve torna-se vital para os planos imediatos da fabricante de chips.
Para o consumidor português, a grande incógnita permanece no preço. A indústria enfrenta atualmente uma crise no fornecimento de memória NAND e uma inflação generalizada nas matérias-primas, fatores que pressionam os custos de produção. Embora a Valve aponte para um valor competitivo face a um PC montado peça a peça, as estimativas apontam para um preço inicial a rondar os 818€. Resta agora esperar que a Valve quebre o silêncio antes que o primeiro trimestre chegue ao fim.












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