
A guerra pela supremacia na Inteligência Artificial está a atingir novos níveis de tensão, e desta vez o dedo é apontado diretamente à Google. A Cloudflare, uma das principais empresas de segurança e infraestrutura da internet, lançou um alerta severo sobre as táticas da gigante das pesquisas, acusando-a de utilizar o seu monopólio para obter uma vantagem injusta no treino de modelos de IA, colocando os criadores de conteúdos numa posição impossível.
Segundo a tecnológica, a Google criou um sistema onde a escolha é simples mas devastadora: ou cedes os teus dados para treinar a IA deles, ou desapareces da internet.
O dilema do "tudo ou nada"
No centro desta polémica estão os chamados crawlers, os robôs que percorrem a web para indexar sites. Enquanto empresas como a Microsoft ou a OpenAI utilizam robôs distintos para a pesquisa (Bingbot) e para o treino de IA (GPTBot), permitindo que os sites bloqueiem um sem afetar o outro, a Google optou por uma estratégia unificada.
O "Googlebot" faz tudo ao mesmo tempo: indexa o teu site para aparecer na Pesquisa Google e recolhe os dados para os modelos de IA, como o Gemini. Isto cria uma armadilha perfeita para os editores e gestores de sites. Se tentares bloquear o acesso da IA da Google aos teus conteúdos, estás automaticamente a bloquear o motor de busca.
Para qualquer negócio online ou órgão de comunicação social, desaparecer da Pesquisa Google é, na prática, uma sentença de morte digital, dado que a empresa detém a maioria esmagadora do tráfego mundial. A Cloudflare descreve esta situação como uma tomada de reféns, onde os editores são forçados a "alimentar" produtos que, ironicamente, podem vir a substituir a necessidade de visitar os seus sites no futuro, através das respostas diretas geradas por IA.
Números que assustam a concorrência
Matthew Prince, CEO da Cloudflare, não se ficou pelas palavras e apresentou dados concretos que ilustram a dimensão deste desequilíbrio. Graças a esta tática agressiva, a Google consegue aceder a 3,2 vezes mais dados da web do que a OpenAI e cerca de 4,8 vezes mais do que a Microsoft. Quando comparada com concorrentes mais pequenos, a vantagem da Google dispara para seis vezes mais acesso a informação.
Esta discrepância não resulta de uma tecnologia superior, mas sim desta política de "extorsão digital", conforme partilhado pela Cloudflare na rede social X.
Perante este cenário, a empresa de segurança já apelou à Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA) para que intervenha urgentemente. O objetivo é forçar uma separação das águas: a indexação para pesquisa deve ser independente da recolha de dados para IA. Caso contrário, o mercado corre o risco de ficar totalmente consolidado nas mãos de um único operador que controla as regras do jogo, enquanto alternativas como a Microsoft tentam, sem sucesso, jogar limpo através de parcerias e licenciamentos pagos.










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