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Elon Musk

Elon Musk tem sido uma das vozes mais ativas no apoio aos protestos no Irão, chegando a oferecer acesso gratuito à sua constelação de satélites Starlink durante os apagões de internet no país. No entanto, enquanto publicamente condena o regime, a sua rede social X (anteriormente Twitter) parece estar a lucrar diretamente com os mesmos oficiais governamentais que ele critica, uma situação que pode colocar a empresa em rota de colisão com as sanções dos EUA.

Vistos azuis em contas sancionadas

Um novo relatório do Tech Transparency Project (TTP), partilhado em exclusivo com a WIRED, identificou mais de duas dezenas de contas geridas por oficiais do governo iraniano e meios de comunicação estatais que ostentam o famoso "visto azul". Este símbolo, que outrora servia apenas para verificação de identidade, indica agora que o utilizador paga uma subscrição do serviço X Premium.

Estas contas, algumas das quais pertencem a indivíduos sob sanções diretas do Tesouro norte-americano, têm utilizado a plataforma para difundir propaganda estatal num momento em que os cidadãos comuns iranianos enfrentam restrições severas de acesso à internet. O serviço Premium, que custa 8 dólares por mês (ou mais para o nível Premium+), não só confere o selo de verificação como também impulsiona artificialmente o alcance das publicações, amplificando a mensagem do regime.

A ironia da situação é palpável: num momento em que a administração Trump ameaça o Irão com possíveis ações militares caso não sejam cumpridas as exigências nucleares, a plataforma de Elon Musk parece estar a minar esses esforços ao fornecer um megafone pago ao governo iraniano. Katie Paul, diretora do TTP, sublinha que Musk não está apenas a dar palco a estes indivíduos, mas a receber o seu dinheiro para potenciar o seu conteúdo, o que contraria o espírito das sanções aplicadas.

A resposta da X e as implicações legais

Entre os nomes identificados com o visto azul encontravam-se figuras de destaque como Ali Larijani, conselheiro sénior do Líder Supremo, e Ali Akbar Velayati, antigo ministro dos negócios estrangeiros, ambos alvo de sanções internacionais. Velayati, por exemplo, é acusado pelas autoridades argentinas de envolvimento no atentado de 1994 em Buenos Aires.

Após o contacto da reportagem com a X, a empresa removeu os vistos azuis de algumas das contas sinalizadas, mas muitas outras identificadas pelo TTP continuam com a verificação ativa. Embora existam isenções nas sanções que permitem às empresas tecnológicas disponibilizar serviços de comunicação no Irão, estas aplicam-se a serviços "gratuitos" e "publicamente disponíveis" para ajudar a população a comunicar. A venda de serviços premium a membros do governo sancionados parece cair fora deste guarda-chuva de proteção legal.

Especialistas em sanções alertam que fornecer serviços pagos ou exclusivos ao governo iraniano sem uma licença específica pode constituir uma violação grave. A situação atraiu também a atenção política, com a senadora Elizabeth Warren a criticar a falta de aplicação das sanções, afirmando que a X pode estar a permitir que oficiais iranianos sancionados usem a plataforma para benefício financeiro e político, minando a segurança nacional.

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