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NotebookLM da Google

O conhecido apresentador do programa "Morning Edition" da rádio norte-americana NPR, David Greene, avançou com um processo judicial num tribunal de Santa Clara contra a Google. O jornalista alega que a ferramenta de inteligência artificial NotebookLM utiliza uma voz masculina praticamente idêntica à sua, sem o seu consentimento prévio ou qualquer tipo de compensação financeira.

A ferramenta em causa é um assistente de pesquisa gerido por inteligência artificial que ganhou enorme popularidade graças à sua capacidade de gerar podcasts automáticos. A funcionalidade cria uma conversa fluida entre dois "apresentadores" virtuais, um homem e uma mulher, que resumem e debatem os documentos submetidos pelos utilizadores.

A impressionante semelhança que assustou a própria família

Os primeiros sinais de alerta para Greene surgiram no outono de 2024, quando um antigo colega de trabalho lhe enviou um e-mail. Pouco depois, vários amigos começaram a questionar se o radialista tinha licenciado a sua voz para o novo formato de podcast gerado por computador. Segundo as pessoas próximas, o assistente virtual não só soava como ele, como captava na perfeição a sua cadência específica e os tiques verbais desenvolvidos ao longo de uma carreira inteira.

Ao ouvir a gravação pela primeira vez, Greene descreveu a experiência como perturbadora. A clonagem digital replicava o seu tom de forma tão exata que até a sua própria esposa ficou assustada com a semelhança. O apresentador sublinha que não é um ativista irracional contra a inteligência artificial, mas teme perder o controlo sobre a sua identidade vocal. A sua maior preocupação é que os utilizadores possam usar a ferramenta para lhe colocar na boca palavras ou ideologias que nunca diria.

 

A tecnológica, no entanto, rejeita qualquer irregularidade. Num comunicado enviado ao Washington Post, o porta-voz José Castañeda classificou as acusações como infundadas. A empresa garante que contratou um ator profissional para gravar a voz masculina original e que qualquer semelhança com o jornalista da NPR é pura coincidência.

 

Apesar da defesa da gigante das pesquisas, o processo legal inclui dados de uma empresa forense especializada em IA, que analisou as gravações. A ferramenta forense atribuiu uma pontuação de confiança entre 53% e 60% de que o modelo foi efetivamente treinado utilizando amostras reais da voz de David Greene.

O fantasma do caso Scarlett Johansson

Esta polémica reacende imediatamente as memórias de um dos casos mais mediáticos de 2024, envolvendo a atriz Scarlett Johansson e a OpenAI. Na altura, o CEO Sam Altman contactou diretamente a atriz, propondo que esta emprestasse a sua voz aos sistemas da empresa, argumentando que o seu tom seria reconfortante para os utilizadores.

Johansson recusou a oferta, mas a tecnológica avançou com o lançamento de uma nova voz chamada "Sky", que soava assustadoramente idêntica à interpretação da atriz como "Samantha" no aclamado filme Her (2013). Tal como David Greene, a atriz ficou em choque com a clonagem e enviou imediatamente uma queixa legal a exigir explicações.

A resposta inicial da criadora do ChatGPT foi muito semelhante à que ouvimos agora: a empresa negou ter copiado a voz e afirmou ter contratado uma atriz diferente. Contudo, após uma investigação detalhada e forte pressão da opinião pública, a empresa recuou, pediu desculpa formalmente e suspendeu a utilização da voz gerada por computador. O desfecho do processo do apresentador da NPR poderá agora definir novos limites para a utilização de dados biométricos vocais no treino de modelos de linguagem.

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