
Se estavas a pensar comprar um computador novo nos próximos tempos, as notícias não são as mais animadoras. A Lenovo, que detém o título de maior fabricante de computadores do mundo, emitiu um aviso sério sobre o estado do mercado. Segundo a informação avançada pela TechRadar, a marca confirmou que a persistente escassez global de semicondutores, com especial destaque para a falta de memória RAM, está a colocar uma pressão significativa sobre a produção. Para lidar com os custos crescentes destes componentes, a empresa já começou a aplicar aumentos nos preços dos seus equipamentos.
A culpa é da Inteligência Artificial
Yang Yuanqing, CEO da Lenovo, abordou a situação de forma direta. Embora a empresa preveja que o volume de vendas de unidades de PC enfrente dificuldades nos próximos tempos, a estratégia mantém-se focada em aumentar a receita global e preservar a rentabilidade.
Mas porque é que voltámos a falar de falta de chips? A grande responsável parece ser a explosão da infraestrutura de IA. Uma fatia considerável da produção mundial de componentes está a ser redirecionada para suportar esta tecnologia emergente, limitando a disponibilidade para os computadores de consumo e empresariais. As projeções de mercado indicam que o volume de entregas pode cair em 2026 devido ao consumo massivo de grande parte da produção.
Receitas sobem apesar da reestruturação
Mesmo com o vento contra no que toca aos componentes, a Lenovo apresentou resultados financeiros sólidos. No terceiro trimestre, a receita da marca cresceu 18% em relação ao ano anterior, atingindo os 22,2 mil milhões de dólares. O lucro líquido ajustado acompanhou a tendência, subindo 36% para os 589 milhões de dólares, números que superaram as expectativas do mercado.
Por outro lado, o lucro líquido reportado sofreu uma queda de 21% (ficando nos 546 milhões de dólares), um decréscimo justificado por uma taxa de reestruturação de 285 milhões de dólares associada a mudanças internas. A companhia acredita que estas alterações reduzirão as despesas em cerca de 200 milhões de dólares num prazo de três anos.
A gigante tecnológica observa ainda uma mudança no comportamento da procura, que deve migrar do treino de modelos para a inferência, influenciando diretamente o tipo de servidores em desenvolvimento. Entre os desafios para o setor, apenas a duração da escassez de memória influenciará a capacidade da marca de compensar a quebra nas vendas de computadores.












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