
A Garmin registou uma patente no Escritório de Patentes e Marcas dos EUA que detalha um sistema não invasivo para estimar os níveis de açúcar no sangue através de um smartwatch. Conforme a informação partilhada pelo portal Wareable no início de fevereiro, o documento baseia-se na utilização de sensores óticos para calcular a hemoglobina glicada, também conhecida como HbA1c.
Foco na tendência a longo prazo em vez da medição instantânea
Ao contrário dos monitores contínuos de glicose que exigem métodos invasivos, a abordagem da fabricante não mede as flutuações de glicemia em tempo real. O verdadeiro objetivo é projetar a tendência metabólica média do utilizador ao longo de vários meses. Para atingir este resultado, o sistema recorre a uma matriz de sensores de fotopletismografia de múltiplos comprimentos de onda.
Esta tecnologia emite frequências específicas de luz com o intuito de analisar a absorção e reflexão sob a pele. O sensor consegue distinguir entre a hemoglobina oxigenada, a desoxigenada e a glicada. Posteriormente, os dados são processados por algoritmos que calculam a proporção de sinais alternados e contínuos, o que gera a percentagem estimada de HbA1c. O documento indica ainda que o mesmo hardware ótico seria capaz de calcular a saturação fracionada e funcional de oxigénio no sangue, o que representa uma janela de análise química muito mais profunda do que os tradicionais sensores SpO2 disponíveis atualmente no mercado.
O desafio da validação clínica e a concorrência no mercado
A escolha da Garmin por se focar na HbA1c contorna uma das maiores barreiras técnicas da indústria dos equipamentos vestíveis: a extrema dificuldade em detetar a glicose em tempo real através da pele com total fiabilidade. Ao adotar um indicador de longo prazo, a leitura baseada em padrões óticos torna-se cientificamente mais plausível.
O setor encontra-se numa corrida para entregar soluções semelhantes aos consumidores. A Huawei, por exemplo, já oferece funções de avaliação de risco de diabetes em alguns modelos, onde avalia os utilizadores com base em tendências gerais de saúde, mas com planos para algo ainda mais avançado. No entanto, a patente da Garmin tenta parametrizar um indicador clínico específico através de um modelo matemático.
Ao concentrar-se na estimativa da hemoglobina glicada em vez da leitura instantânea da glicose, a empresa adota o caminho ótico mais realista e viável para o rastreio metabólico. Contudo, por se tratar de um modelo matemático preditivo, a tecnologia exigirá anos de validação clínica rigorosa antes de ser integrada de forma comercial nas linhas Fenix ou Venu.












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