
As gigantes tecnológicas estão a alterar a sua estratégia de adoção de inteligência artificial na Índia. Depois de um período de promoções gratuitas desenhadas para atrair utilizadores na quarta maior economia do mundo, empresas como a OpenAI, a Google e a Perplexity começam a focar-se na conversão desta enorme base de utilizadores em subscritores pagos, conforme avança o TechCrunch.
De acordo com dados da empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, a Índia consolidou a sua posição como o maior mercado mundial de downloads de aplicações de inteligência artificial generativa em 2025. O país aumentou a sua vantagem sobre os Estados Unidos da América, registando um salto de 207% nas instalações em termos homólogos. Para impulsionar este crescimento num mercado sensível ao preço, as empresas disponibilizaram ofertas premium gratuitas prolongadas. Este compromisso com o mercado indiano ficou também evidente na cimeira de inteligência artificial que decorreu em Nova Deli na semana passada, contando com a presença de líderes como Sam Altman da OpenAI, Dario Amodei da Anthropic e Sundar Pichai da Alphabet.
O desafio da monetização num mercado gigante
Apesar do volume impressionante de downloads, representando cerca de 20% do total global, a Índia gera apenas cerca de 1% das receitas de compras nas aplicações de inteligência artificial. Este dado ilustra o desafio da rentabilização. No final de 2025, enquanto os downloads atingiram picos com crescimentos homólogos na ordem dos 320% em setembro e 260% em outubro, as receitas não acompanharam a tendência. Em novembro e dezembro de 2025, as receitas de compras na aplicação caíram 22% e 18%, respetivamente.
Atualmente, as estratégias promocionais estão a ser descontinuadas. A Perplexity encerrou a sua oferta Pro em parceria com a operadora indiana Airtel em janeiro de 2026. De forma semelhante, o acesso gratuito ao plano ChatGPT Go na Índia deixou de estar disponível. Este plano de baixo custo da OpenAI tinha levado a uma queda acentuada de 33% e 32% nas receitas do chatbot em novembro e dezembro do ano passado, refletindo o impacto a curto prazo das campanhas agressivas.
O domínio do ChatGPT e o futuro das subscrições
O mercado indiano continua a ser dominado pela OpenAI, que detém mais de 60% das receitas de aplicações de inteligência artificial generativa no país. No início de 2026, o principal serviço da empresa liderava com 180 milhões de utilizadores ativos mensais em janeiro, seguido pelo Gemini da Google com 118 milhões, a Perplexity com 19 milhões e a Meta AI com 12 milhões. Além disso, o próprio Sam Altman confirmou no início deste mês que o seu chatbot ultrapassou a marca dos 100 milhões de utilizadores ativos semanais na região.
O aumento da adoção em 2025 foi também impulsionado pelo lançamento de plataformas como o DeepSeek e o Grok, além de atualizações nos principais modelos e pelo interesse viral em ferramentas de criação de conteúdo. Com mais de mil milhões de utilizadores de internet e cerca de 700 milhões de proprietários de smartphones, a Índia representa um campo de batalha crucial. No entanto, o envolvimento dos utilizadores ainda fica atrás de mercados mais maduros. Segundo a Sensor Tower, os utilizadores norte-americanos passam cerca de 21% mais tempo por semana nestas aplicações e registam 17% mais sessões do que os indianos.
Sneha Pandey, analista de insights da Sensor Tower, salienta que a melhoria nas receitas será gradual e exigirá um foco na retenção a longo prazo, através de pacotes de telecomunicações, escalões de baixo custo e modelos de microtransações adaptados a um público jovem e consciente do valor. A Google, a OpenAI e a Perplexity optaram por não comentar estas mudanças no mercado indiano.












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