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hacker em frente de smartphone

Já imaginaste que a inteligência artificial pudesse ser usada para algo tão perigoso como forjar a tua identidade? Yurii Nazarenko, um ucraniano de 27 anos, não só imaginou como transformou essa ideia num negócio ilegal de larga escala. O responsável pelo portal OnlyFake admitiu finalmente ser o autor de um esquema que utilizou inteligência artificial para gerar e vender mais de 10.000 documentos de identificação falsos a clientes em todo o mundo.

Identidades forjadas por algoritmos

O esquema funcionava através de um modelo de subscrição, onde Nazarenko — conhecido no submundo digital por nomes como John Wick ou Tor Ford — oferecia a criação de passaportes, cartas de condução e cartões de Segurança Social extremamente realistas. O OnlyFake permitia que os utilizadores gerassem documentos de 56 países, incluindo versões digitais de identificações de todos os 50 estados norte-americanos.

A plataforma era surpreendentemente sofisticada. Os clientes podiam personalizar os detalhes dos documentos ou confiar em dados gerados aleatoriamente. Para aumentar a probabilidade de sucesso em tentativas de fraude, o sistema permitia escolher se o ficheiro final deveria parecer uma digitalização perfeita ou uma fotografia casual tirada sobre uma mesa, simulando um documento físico real.

Operações secretas e a sentença final

As autoridades acreditam que o principal propósito destes documentos fraudulentos era contornar os protocolos de verificação de identidade (KYC) em instituições bancárias e plataformas de criptomoedas, facilitando o branqueamento de capitais. O FBI montou uma operação de vigilância e, entre maio e junho de 2024, agentes infiltrados conseguiram comprar vários documentos falsos, incluindo passaportes e cartões de Segurança Social, confirmando a eficácia criminosa do portal.

Nazarenko, que aceitava apenas pagamentos em criptomoeda para tentar ocultar o rasto financeiro, foi extraditado da Roménia em setembro de 2025. No âmbito do processo judicial, o ucraniano aceitou abdicar de um valor que ronda os 1,1 milhões de euros (1,2 milhões de dólares). Conforme detalhado no comunicado oficial do Departamento de Justiça dos EUA, o arguido enfrenta agora uma pena que pode chegar aos 15 anos de prisão, estando a leitura da sentença agendada para o dia 26 de junho de 2026.

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