
A proteção dos sistemas digitais tornou-se uma prioridade incontornável, especialmente no setor público. Face ao aumento expressivo de incidentes informáticos, o Centro de Competências em Cibersegurança e Privacidade da Universidade do Porto, conhecido como C3P, vai realizar uma sessão de capacitação dedicada à segurança informática focada no município de Santa Maria da Feira.
O evento está agendado para o próximo dia 11 de março, com sessões a decorrer às 10h00 e às 14h30 na Biblioteca Municipal, destinando-se ao executivo municipal e às diversas juntas de freguesia da região. O objetivo central passa por dotar os dirigentes e colaboradores de ferramentas e conhecimentos práticos para enfrentarem as ameaças que marcam a atualidade do espaço digital.
O peso crescente dos incidentes no setor público
Os números recentes não deixam margem para dúvidas sobre a urgência do tema. Segundo o mais recente Relatório do Observatório de Cibersegurança, registou-se um aumento de 36% nos incidentes em território nacional. Dentro do panorama do setor público, a administração local encontra-se sob forte pressão, sendo a responsável por 32% das notificações de violação de dados.
Rolando Martins, vice-diretor do C3P da instituição portuense, alerta que as autarquias funcionam hoje como verdadeiras estruturas digitais que lidam diariamente com informações bastante sensíveis da população. O responsável sublinha que a aposta contínua nesta área vai muito além de uma mera questão tecnológica, assumindo-se como um pilar essencial para garantir a confiança e a operação ininterrupta dos serviços prestados aos cidadãos, desde os pagamentos aos processos administrativos mais comuns.
Formação especializada para mitigar os riscos
Durante o encontro em Santa Maria da Feira, os participantes vão poder analisar de perto os principais perigos que ameaçam os sistemas municipais. Os tópicos em cima da mesa incluem a identificação de táticas de engenharia social e os esquemas de phishing, que continuam a ser portas de entrada muito procuradas para o acesso não autorizado a redes governamentais.
Além disso, a formação vai debruçar-se sobre as novas obrigações e exigências legais impostas pela diretiva europeia NIS2. Esta regulamentação veio impor a um número cada vez maior de entidades que reforcem seriamente as suas medidas preventivas e a capacidade de resposta rápida a qualquer anomalia que possa comprometer a integridade das suas infraestruturas.
O C3P, que se encontra integrado na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, tem assumido um papel bastante ativo nesta transição e reforço tecnológico. Envolvido em projetos nacionais como o C-Hub e o C3Norte, este centro de competências já prestou o seu apoio a quase duas centenas de organizações desde 2023, ajudando a avaliar cenários de risco e a implementar boas práticas de ciber-higiene.












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