
A fabricante chinesa BYD está a assistir a uma enchente de novos compradores nos seus concessionários, impulsionada pela escalada dos preços dos combustíveis e do petróleo devido às crescentes tensões no Médio Oriente. De acordo com a reportagem da Bloomberg, a aposta exclusiva nos veículos elétricos e híbridos plug-in está a dar frutos evidentes e a reconfigurar o mercado.
Desde que abandonou a produção de carros movidos apenas a combustão interna em 2022, a BYD tornou-se a maior fabricante mundial do setor elétrico. A empresa alcançou o sexto lugar nas vendas globais em 2025, ultrapassando a Ford pela primeira vez, com mais de 4,6 milhões de unidades comercializadas. Embora o crescimento das vendas tenha abrandado nos últimos meses devido à concorrência e a mudanças nas políticas governamentais, a marca regista agora um novo pico de procura, com os condutores a procurarem alternativas viáveis para fugir aos custos elevados nas bombas de combustível.
Num dos concessionários da marca em Manila, nas Filipinas, a afluência é de tal ordem que os responsáveis registaram o equivalente a um mês de encomendas em apenas duas semanas. O vendedor Dominique Poh explicou que os clientes estão a substituir ativamente os seus automóveis para fugir aos aumentos do crude. Mas este cenário de crescimento acelerado não é exclusivo desta fabricante.
O impacto das tensões no Médio Oriente
A mais de mil quilómetros de distância, um espaço de vendas da VinFast viu-se obrigado a contratar mais funcionários depois de as visitas terem quadruplicado desde o início do conflito na região. Um dos clientes, Lai The Manh Linh, que trocou o seu Toyota Vios a gasolina por um VinFast 5, referiu que a transição para a mobilidade elétrica vai permitir uma poupança financeira significativa no dia a dia.
Esta fuga aos combustíveis fósseis tem um reflexo global notório. Uma análise recente da organização Ember revelou que a adoção deste tipo de automóveis ajudou a evitar o consumo de 1,7 milhões de barris de petróleo por dia em 2025, o que equivale a cerca de 70% de todo o volume que o Irão exporta através do Estreito de Ormuz.
Ásia lidera a mudança de paradigma
A região asiática, com especial destaque para países como a Tailândia e as Filipinas, apresenta taxas de adoção de elétricos a rondar os 40%, superando largamente os mercados europeu e norte-americano. Como cerca de 40% do petróleo importado para a Ásia passa pelo Estreito de Ormuz, estes países estão particularmente expostos às flutuações de preço. Em resposta a esta vulnerabilidade, governos como o do Laos estão a reduzir as taxas de registo e de serviço para automóveis a bateria, enquanto aumentam os impostos para os modelos tradicionais equivalentes.
Surapong Paisitpatnapong, porta-voz do grupo da indústria automóvel da Federação das Indústrias Tailandesas, admitiu que as perspetivas para a procura destes veículos em 2026 eram inicialmente menos otimistas devido à redução dos subsídios estatais, que tornavam os preços menos apelativos. No entanto, o cenário inverteu-se, com o porta-voz a confirmar que a manutenção ou o agravamento dos preços do petróleo irá impulsionar significativamente a procura por opções elétricas.
Uma tendência global a acelerar em 2026
A China, sendo a maior produtora mundial de automóveis elétricos, deverá registar o maior aumento de interesse, mas mercados vitais como os Estados Unidos e a Europa também acompanham a tendência de transição. Dados de pesquisa partilhados pela Edmunds mostram que, logo na primeira semana de março, o interesse dos consumidores por veículos eletrificados subiu mais de 20% face à semana anterior, com o foco principal a recair nos modelos totalmente elétricos. Este nível de interesse deverá ser ainda mais acentuado atualmente, numa altura em que a gasolina nos Estados Unidos se aproxima dos quatro dólares por galão, o que equivale a cerca de 0,96 euros por litro.
Para capitalizar este momento de incerteza global e desferir um golpe na indústria petrolífera tradicional, a fabricante chinesa decidiu ir mais longe no seu mercado interno. A BYD está a oferecer 18 meses de carregamento gratuito na compra de veículos elétricos selecionados, garantindo assim um argumento de peso para convencer de vez os condutores a abandonarem as motorizações a combustão.












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