
A empresa de infraestruturas web bloqueou o acesso a cerca de 2800 domínios na segunda metade de 2025, um aumento substancial face ao ano anterior. Apesar da colaboração no bloqueio geográfico de sites ilegais, a recusa em censurar o seu DNS público resultou numa sanção pesada em Itália.
Segundo os dados revelados pelo TorrentFreak, o mais recente relatório de transparência da Cloudflare mostra uma mudança de postura significativa. Sendo responsável por encaminhar cerca de 20% de todo o tráfego da internet mundial, a gigante norte-americana encontra-se frequentemente no centro de disputas sobre direitos de autor e pirataria. Durante anos, a norma da empresa passou por não atuar diretamente sobre os clientes que usavam os seus serviços de CDN, optando apenas por reencaminhar as queixas para as respetivas empresas de alojamento.
O aumento drástico dos bloqueios geográficos
No segundo semestre de 2025, foram aplicados bloqueios geográficos a 2791 domínios que utilizavam os serviços de encaminhamento da empresa. Este número contrasta fortemente com os apenas 308 domínios bloqueados no mesmo período do ano passado. Quando um bloqueio destes ocorre, os visitantes de países específicos deparam-se com uma página informativa que explica os motivos da restrição de acesso.
As motivações para estes bloqueios variam consoante o território. No Reino Unido, a empresa atua de forma voluntária, baseando-se numa antiga ordem do Supremo Tribunal dirigida aos fornecedores de internet. Já em países como a França e a Bélgica, a plataforma responde a ordens judiciais diretas, que abrangem não só plataformas de partilha ilegal de ficheiros, mas também sites de jogo não licenciado. Na Coreia do Sul, uma nova legislação obriga as redes de distribuição de conteúdos a implementar uma lista negra governamental, impedindo que estes endereços sejam servidos a partir de equipamentos físicos localizados no país.
A linha vermelha do DNS e a guerra com Itália
Apesar de ceder nos bloqueios geográficos através da sua CDN, a empresa mantém uma regra estrita: não bloqueia conteúdos através do seu popular resolvedor de DNS público, o 1.1.1.1. Esta recusa em manipular os pedidos de DNS tem gerado atritos severos com algumas autoridades europeias. A plataforma sublinha que, por vezes, aplica restrições geográficas na CDN precisamente em resposta a ordens que exigiam bloqueios no DNS.
O caso mais mediático ocorreu em Itália, onde o regulador das comunicações (AGCOM) aplicou uma multa superior a 14 milhões de euros em janeiro, no âmbito das medidas do sistema Piracy Shield. O regulador italiano argumenta que a colaboração da plataforma é essencial para aplicar as leis contra a partilha ilegal, uma vez que a sua infraestrutura permite contornar os métodos de bloqueio tradicionais. Como resposta à sanção, que se encontra sob recurso nos tribunais, o diretor executivo Matthew Prince chegou mesmo a ponderar a saída total do mercado italiano.
A par destas polémicas, o relatório indica ainda que a empresa tem tomado ações diretas mais agressivas contra clientes que utilizam os seus próprios serviços de alojamento. Das mais de 121 mil queixas de infração de direitos de autor recebidas no final de 2025, a organização tomou medidas em quase 68 mil casos, utilizando predominantemente sistemas automatizados, e encerrou cerca de 60 mil contas do seu serviço de armazenamento R2.












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