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Imagem do que o utilizador recebeu na encomenda da Amazon

Comprar componentes de hardware de alto desempenho na internet tornou-se uma tarefa que exige nervos de aço, especialmente quando falamos de valores que ultrapassam os dois mil euros. Um utilizador na Índia sentiu na pele o pior cenário possível ao investir 299.995 rupias (cerca de 2.790 euros) numa placa gráfica topo de gama. Em vez da esperada GIGABYTE GeForce RTX 5090 Windforce OC, a encomenda entregue continha apenas um pacote de um quilograma de detergente Ghadi, avaliado em pouco mais de dois euros. De acordo com o que foi reportado pelo Wccftech, o verdadeiro problema surgiu quando a Amazon decidiu encerrar o caso e recusar qualquer tipo de devolução do dinheiro.

Evidências ignoradas e discrepâncias de peso

O lesado afirma que percebeu imediatamente que algo estava errado antes mesmo de abrir a caixa. A embalagem apresentava sinais claros de adulteração, com os selos originais do fabricante cortados e substituídos por fita adesiva transparente, além de etiquetas de códigos de barras que não correspondiam ao produto. Prevendo o pior, o utilizador gravou todo o processo de abertura da caixa em vídeo para servir de prova, mas nem isso parece ter convencido a plataforma de comércio eletrónico, que concluiu que o artigo enviado estava correto após uma investigação de poucos dias.

etiqueta da encomenda com peso incorreto para uma placa gráfica

Para além do vídeo, existe um detalhe técnico que deita por terra a tese da loja: o peso da encomenda. A etiqueta de envio da transportadora registava 1,56 quilogramos, um valor fisicamente impossível para uma NVIDIA RTX 5090. Só a placa gráfica em si pesa mais de 2 kg, subindo para os 3 kg se contabilizarmos a caixa original e as proteções. Esta diferença gritante sugere que o produto foi trocado algures na cadeia logística ou que o vendedor agiu de má fé desde o início.

Sinais de alerta na fatura e no vendedor

Uma análise mais detalhada após o incidente revelou vários sinais que poderiam ter servido de aviso. O vendedor, listado como FAB WORLD Point, emitiu uma fatura em nome de outro indivíduo e apresentava um imposto local (IGST) de 0%, quando o valor correto para componentes informáticos na Índia deveria ser de 18%. Ao investigar o histórico deste vendedor, o comprador descobriu que outros utilizadores já tinham deixado críticas negativas relatando exatamente o mesmo esquema com detergente em pó.

Este caso levanta sérias questões sobre a eficácia dos mecanismos de proteção ao consumidor que as grandes plataformas tanto publicitam. Embora existam garantias que cobrem produtos danificados ou que não correspondem à descrição, a experiência deste utilizador mostra que, perante valores elevados, o cliente pode ficar totalmente desprotegido. Sem o reembolso, resta agora ao comprador a via judicial para tentar recuperar uma quantia que, para muitos, representa uma pequena fortuna investida num sonho tecnológico que acabou transformado em roupa lavada.

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