
A Hyundai deu um passo importante para a mobilidade sustentável ao iniciar as operações da primeira frota de camiões movidos a células de combustível de hidrogénio na América do Sul, mais concretamente no Uruguai. De acordo com o comunicado oficial da Hyundai, os novos veículos do modelo XCIENT vão ser fundamentais para apoiar a logística de baixo carbono no setor madeireiro da região, marcando o início de uma nova era para o transporte de mercadorias sem emissões poluentes.
O plano de lançamento engloba a implementação de seis camiões dedicados às operações regulares e duas unidades adicionais que vão servir de apoio ou para uma potencial expansão. Espera-se que esta frota principal percorra perto de um milhão de quilómetros por ano nas rotas diárias da logística florestal uruguaia.
O ambicioso Projeto Kahirós
Esta transição para o hidrogénio está inserida no Projeto Kahirós, que é gerido por um consórcio de empresas uruguaias, onde se incluem a Ventus, a Fraylog e a Fidocar, a atual parceira local da fabricante sul-coreana. Para tornar esta visão numa realidade sustentável, o projeto garantiu um investimento de aproximadamente 37 milhões de euros do Grupo Santander, recebendo ainda o apoio da Corporação Financeira Internacional do Banco Mundial e do Fundo de Inovação em Energia Renovável das Nações Unidas.
A infraestrutura planeada vai suportar toda a operação e inclui a construção de um parque solar de 4,8 MW aliado a uma instalação de eletrólise. Esta central foi desenhada para conseguir produzir até 77 toneladas de hidrogénio verde anualmente. O arranque oficial de todas as operações está agendado para novembro de 2026.
Potência e autonomia para cargas pesadas
O camião XCIENT Fuel Cell foi construído especificamente para lidar com os desafios do transporte de mercadorias pesadas. O veículo vem equipado com um avançado sistema de células de combustível a hidrogénio capaz de entregar 180 kW de potência, trabalhando em conjunto com um motor elétrico de 350 kW. O sistema consegue armazenar até 68 kg de hidrogénio nos seus tanques e integra ainda uma bateria de 72 kWh para auxiliar a gestão energética.
Em condições ideais de funcionamento, este conjunto oferece uma autonomia que pode chegar aos 720 quilómetros com apenas um abastecimento. A sua estrutura e mecânica foram pensadas para aplicações extremas, suportando um peso bruto combinado que ronda as 37 toneladas.
Airton Cousseau, responsável máximo da fabricante para a região da América Central e do Sul, sublinhou que estes camiões não produzem qualquer tipo de emissões pelo tubo de escape, representando uma alternativa de carbono significativamente mais baixo face aos pesados tradicionais. A mesma visão estratégica é partilhada por Chul Youn Park, vice-presidente sénior da marca, que reforçou o objetivo de criar um ecossistema de transporte de carga comercial que seja não só eficiente e seguro, mas sobretudo verde e preparado para o futuro.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!