
A crise global de componentes continua a fazer estragos, e depois da falta de memória RAM alastrar para o armazenamento e ameaçar os processadores, o novo problema reside na energia. Segundo avança o The Register, a Panasonic revelou que a expansão rápida da infraestrutura de inteligência artificial está a aumentar drasticamente a procura por baterias de backup para centros de dados, essenciais para garantir um fornecimento elétrico estável e contínuo.
A corrida contra as falhas elétricas
Neste momento, a fabricante japonesa já tem cerca de 80% da sua produção planeada alocada a clientes existentes. Este cenário deixa uma margem muito reduzida para novos compradores que tentem escalar os seus sistemas, criando um verdadeiro estrangulamento no fornecimento. Estas baterias são desenhadas para serem instaladas diretamente nos bastidores dos servidores, fornecendo picos curtos de energia de reserva que mantêm as máquinas a funcionar durante quebras breves de eletricidade.
Com as organizações a expandirem as suas operações tecnológicas de forma agressiva, garantir estes sistemas de suporte torna-se cada vez mais difícil dentro de prazos aceitáveis. A eletricidade ininterrupta é uma peça fundamental para evitar tempos de inatividade dispendiosos e proteger as pesadas cargas de trabalho exigidas pela inteligência artificial.
Expansão de fábricas e novas tecnologias
Para dar resposta a esta procura avassaladora, a Panasonic planeia triplicar a produção de células de iões de lítio no Japão e adaptar partes das suas linhas de montagem do setor automóvel para fabricar equipamentos focados em servidores. Em paralelo, a empresa está a avaliar se a sua fábrica no Kansas tem capacidade para suportar a produção adicional destinada a este mercado.
Além das propostas tradicionais, a gigante tecnológica está a trabalhar no desenvolvimento de supercondensadores como forma alternativa de reserva energética. Ao contrário dos condensadores convencionais que libertam carga de forma quase instantânea, os supercondensadores conseguem armazenar maiores quantidades e descarregar de forma mais gradual para absorver flutuações na rede. Os envios destes novos componentes têm o início previsto para o ano fiscal de 2027.
A empresa perspetiva que as vendas ligadas a este setor alcancem os 800 mil milhões de ienes, o equivalente a cerca de 4,6 mil milhões de euros, até 2029. O cumprimento desta meta ambiciosa depende da capacidade da marca em escalar a produção conforme planeado, um fator que permanece incerto face às atuais pressões na cadeia de abastecimento global.












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