
O mercado da mobilidade sustentável está a viver dois cenários opostos no arranque de 2026. De acordo com os dados mais recentes partilhados pela Cox Automotive, as vendas de modelos novos sofreram uma quebra acentuada de 28% no primeiro trimestre, face ao período homólogo. No entanto, o segmento de segunda mão está a ganhar um fôlego renovado, registando um crescimento de 12% no mesmo período e uma subida de 17% em comparação com o último trimestre do ano passado.
Fatores que impulsionam o mercado de usados
A subida dos preços dos combustíveis tem sido um dos principais catalisadores para este interesse crescente. Com a gasolina a superar valores recorde, muitos condutores procuram alternativas mais económicas para as suas deslocações diárias. No entanto, o custo do abastecimento não é o único responsável por esta mudança de comportamento nos consumidores, que olham agora com mais atenção para o mercado de vendas de veículos seminovos.
Outro ponto crucial para este fenómeno é a chegada massiva de unidades provenientes de contratos de leasing que chegaram ao fim. Muitos veículos elétricos adquiridos no início da década estão agora a entrar no mercado de usados, aumentando significativamente a oferta disponível e permitindo que os preços se tornem muito mais competitivos.
Paridade de preços e fim de incentivos estatais
A quebra nas vendas de modelos novos é explicada, em grande parte, pelo fim do crédito fiscal de 7.500 dólares (cerca de 7.000 euros) que vigorava anteriormente. Sem este apoio direto ao consumidor, a barreira do preço tornou-se mais difícil de ultrapassar para muitos interessados em estrear um carro elétrico.
Em contrapartida, a lei da oferta e da procura está a favorecer quem opta por um usado. Atualmente, o preço médio de um elétrico de segunda mão situa-se nos 34.821 dólares (aproximadamente 32.500 euros), aproximando-se cada vez mais dos 33.487 dólares (cerca de 31.250 euros) pedidos pelos modelos equivalentes com motor a combustão. Esta quase paridade de valores está a tornar a transição energética muito mais apelativa para o bolso dos utilizadores, que conseguem assim contornar os custos elevados das viaturas novas.












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