
Nirav Patel, o fundador e diretor executivo da fabricante de computadores modulares, deixou um aviso claro à indústria: o computador pessoal, tal como o conhecemos, chegou ao fim. O antigo engenheiro da Apple e membro fundador da equipa da Oculus aponta para uma transformação drástica no setor, impulsionada pelo aumento insustentável dos custos de produção.
Segundo uma publicação recente no blog oficial da empresa, esta declaração surge numa altura em que a marca se viu forçada a aumentar os preços dos seus próprios equipamentos. A culpa recai sobre o disparo nos custos da memória DRAM e do armazenamento NAND, com os discos SSD a duplicarem de preço face aos valores habituais. O resultado prático é que fabricar dispositivos acessíveis deixou de ser rentável.
O impacto dos custos e a transição para a nuvem
A mensagem da Framework não sugere que os computadores vão desaparecer de um dia para o outro, mas sim que o centro económico da computação está a mudar de lugar. Os utilizadores terão cada vez menos controlo direto sobre o hardware que utilizam, ficando mais dependentes de ecossistemas fechados, subscrições mensais e processamento na nuvem.
Equipamentos como o recente MacBook Neo exemplificam esta tendência, oferecendo uma proposta atrativa de gama de entrada, mas prendendo o consumidor a uma plataforma totalmente fechada, onde as alterações de hardware e software são impossíveis. Ao mesmo tempo, serviços baseados na nuvem, como o GeForce NOW da NVIDIA e o Xbox Game Pass, ganham uma força sem precedentes, transformando o hardware local num mero portal de acesso à internet.
A febre da inteligência artificial afeta todos
O panorama para 2026 não é animador. Após encontros com fornecedores durante a feira CES, a perspetiva de estabilização piorou. A empresa de análise TrendForce estima que, no segundo trimestre de 2026, os preços da memória DRAM subam entre 58 e 63%, enquanto a NAND deverá encarecer entre 70 a 75%. Esta inflação deve-se à reorientação das linhas de produção para componentes mais lucrativos, como chips de memória HBM, RAM para servidores e SSDs empresariais.
A fabricante Micron confirmou que a procura por bits de DRAM e NAND vai superar a oferta durante o ano, mantendo a tensão no mercado para além de 2026. A principal beneficiada deste cenário tem sido a Samsung, que tem aproveitado o crescimento explosivo dos centros de dados focados em inteligência artificial. Este boom restringiu o fornecimento de chips para computadores, telemóveis e consolas, permitindo à gigante sul-coreana antecipar uma subida de 755% nos seus lucros operacionais face ao mesmo período do ano passado.
O futuro do hardware modular em risco
Esta mudança no mercado contraria diretamente a filosofia que a fabricante de computadores modulares tem vindo a construir. A empresa fez o seu nome com base na reparabilidade e na verdadeira propriedade do hardware. O seu computador de secretária Desktop, lançado em 2025, provou ser uma máquina Mini-ITX de 4,5 litros capaz de alojar um processador AMD Ryzen AI Max com até 16 núcleos e suportar uns impressionantes 128 GB de memória LPDDR5x, preparado tanto para videojogos como para processamento de inteligência artificial local.
A popularidade do formato foi cimentada quando o site iFixit atribuiu uma nota perfeita de 10 em 10 em termos de reparabilidade ao portátil Laptop 12. No entanto, a tendência de fechar os sistemas e limitar o hardware local ameaça este modelo sustentável. O caso do MacBook Pro e de outros equipamentos fechados que chegam ao mercado limitados a apenas 8 GB de memória RAM ilustra bem este problema a curto prazo, levantando já conversas sobre a necessidade de um futuro MacBook Neo 2 com 12 GB de RAM para 2027.












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