
Numa altura em que vários governos avançam com leis para impedir que os menores utilizem plataformas digitais, a Estónia decide adotar uma postura radicalmente diferente. A ministra da Educação do país acredita que as restrições aos utilizadores não resolvem o problema de fundo, argumentando que a responsabilidade deve recair sobre as empresas de tecnologia e não sobre as crianças, de acordo com as declarações partilhadas pelo Politico.
O alvo errado na luta contra o vício digital
Embora empresas como a Meta tentem minimizar os impactos, os estudos confirmam que a dependência destas plataformas traz consequências reais para os mais novos, desde problemas de sono e ansiedade até questões de obesidade ligadas à publicidade agressiva. Perante estes dados, países como a França, Espanha, Reino Unido, Dinamarca e Austrália começaram a desenhar e a implementar limites de idade rígidos para o acesso à internet social.
No entanto, Kristina Kallas, ministra da Educação da Estónia, defende que esta abordagem se foca no alvo errado. Durante um fórum em Barcelona, a governante explicou que exigir que as crianças assumam a responsabilidade por este dano, forçando-as a uma autorregulação imposta, não é o caminho correto. Kallas avisou ainda que os jovens vão rapidamente encontrar formas e ferramentas para contornar as regras, continuando a aceder aos seus perfis como se nada fosse.
A necessidade de assumir o controlo
Para a responsável estoniana, a verdadeira solução passa por uma ação firme dos governos diretamente contra as corporações. Kallas desafiou a Europa a deixar a falsa aparência de fraqueza perante as gigantes tecnológicas americanas e internacionais, instando as autoridades a usarem o seu poder legislativo para regulamentar diretamente quem lucra com a atenção dos menores.
Existe ainda um outro argumento de peso contra estas proibições focadas no consumidor final: o risco de limitar liberdades fundamentais numa escalada perigosa. Quando um país proíbe o acesso a um serviço, necessita de criar mecanismos informáticos para aplicar essa mesma lei. Em França, por exemplo, já se sugeriu que o passo seguinte para garantir o bloqueio efetivo a menores de 15 anos passaria por atacar o uso de redes virtuais privadas, eliminando as ferramentas que os jovens poderiam usar para contornar os bloqueios governamentais.












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