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Claude com bandeira dos EUA

A Anthropic informou a administração dos EUA sobre as capacidades do seu novo modelo de inteligência artificial, o Mythos. Considerado demasiado perigoso para ser lançado ao público devido às suas elevadas aptidões no campo da cibersegurança, as revelações foram feitas durante a cimeira económica da Semafor, onde foram expostas as tensões e as parcerias com as autoridades governamentais.

Durante o evento, Jack Clark, cofundador da empresa, explicou os motivos que levam a tecnológica a manter um diálogo aberto com o governo, mesmo num momento em que decorre um processo judicial entre as duas partes. Em março, a empresa avançou com um processo contra o Departamento de Defesa após ter sido classificada como um risco para a cadeia de abastecimento.

Uma disputa militar e o interesse da banca

O atrito com o Pentágono surgiu devido a divergências sobre o acesso irrestrito dos militares aos sistemas de IA, com o governo a pretender utilizar a tecnologia para cenários de vigilância em massa sobre a população norte-americana e no desenvolvimento de armamento totalmente autónomo. Face à recusa, o contrato acabou por ser entregue à OpenAI. No entanto, Clark desvaloriza o rótulo de risco imposto pelo governo, classificando a situação como uma mera disputa contratual restrita que não afeta a preocupação da empresa com a segurança nacional.

Apesar deste braço de ferro legal, o diálogo não foi cortado. O executivo defende que o governo tem de estar a par destas tecnologias que estão a revolucionar a economia, justificando a partilha de informações precisas sobre o Mythos e as futuras versões em desenvolvimento. Este cenário ganha ainda mais relevo após surgirem relatos de que os responsáveis governamentais estão a incentivar gigantes financeiros, como o JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup, Bank of America e Morgan Stanley, a testar ativamente o novo modelo.

O impacto silencioso no futuro do emprego

Para além dos desafios do setor de segurança, a entrevista também abordou o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho e no ensino superior. Enquanto o CEO da empresa, Dario Amodei, alertou que os avanços na área poderiam elevar o desemprego para níveis associados à época da Grande Depressão devido à rapidez com que a IA se vai tornar poderosa, Clark apresenta uma visão mais contida e baseada na sua equipa de economistas.

Atualmente, a tecnológica identifica apenas uma potencial fraqueza na contratação de recém-licenciados em setores bastante específicos, embora assegure estar preparada para eventuais mudanças drásticas na empregabilidade. Questionado sobre os percursos académicos que os estudantes devem privilegiar ou evitar face à evolução da tecnologia, o cofundador sugere que a chave passa por áreas que exijam capacidade de síntese e pensamento analítico perante diversas disciplinas. A verdadeira vantagem passará por saber fazer as perguntas certas e combinar conhecimentos de várias áreas para tirar partido do vasto número de especialistas digitais que os modelos atuais já conseguem simular.

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