
A inteligência artificial local deixou de ser apenas uma novidade curiosa integrada no nosso navegador de eleição, seja ele o Google Chrome, o Microsoft Edge, o Firefox ou o Opera. Tende agora a representar também uma transferência pesada e silenciosa para o nosso computador. É exatamente aqui que surge a nova intervenção da gigante de Redmond, que decidiu colocar um travão neste consumo abusivo de recursos.
Segundo indica a documentação oficial da Microsoft, o Windows 11 permite agora bloquear, através de uma política de registo, a transferência automática de modelos de IA locais utilizados por navegadores como o Edge e o Chrome. Esta medida inclui o polémico ficheiro de aproximadamente 4 GB associado ao Gemini Nano. Desta forma, os utilizadores ganham a capacidade de controlar o espaço ocupado no armazenamento e o impacto que estes grandes modelos de linguagem (LLM) têm no sistema.
A controvérsia começou a ganhar força precisamente no Chrome, após vários utilizadores terem detetado a transferência não solicitada de um modelo de IA local para as suas máquinas. Como seria de esperar, a situação levantou sérias dúvidas sobre a transparência do processo, gerando uma onda de descontentamento geral na comunidade tecnológica.
Transferências pesadas sem autorização prévia
Para enquadrar o problema, análises detalhadas revelaram que o ficheiro em causa se denomina weights.bin, estando diretamente ligado ao funcionamento do Gemini Nano, com um peso a rondar os 4 GB. Perante as críticas, a Google defendeu-se garantindo que o modelo não atua como spyware ou bloatware. A empresa justificou a sua presença com a necessidade de alimentar funcionalidades nativas de segurança, como a deteção de esquemas fraudulentos, e de apoiar APIs para programadores, assegurando que os dados privados não saem do equipamento para a nuvem.
No entanto, a grande questão reside na gestão intrusiva deste mecanismo. De acordo com os dados partilhados sobre o bloqueio da Microsoft, o Chrome forçava novamente a transferência do modelo mesmo que o utilizador o eliminasse manualmente do disco. É perante este cenário que a nova política se torna essencial para quem recusa que o browser decida unilateralmente o que consome a largura de banda e o armazenamento interno do PC.
A Microsoft implementou assim a regra GenAILocalFoundationalModelSettings. No Edge, esta diretiva dita se o navegador tem autorização para obter o modelo fundacional GenAI e aplicá-lo em tarefas locais. Se o parâmetro estiver configurado como "Allowed" (0), o processo ocorre de forma automática. Em contrapartida, ao definir a opção como "Disallowed" (1), o sistema bloqueia a transferência e força a eliminação imediata de qualquer ficheiro que já estivesse previamente descarregado.
Como desativar a IA local no Windows
A aplicação deste bloqueio é um processo relativamente simples através do Editor de Registo do Windows (Regedit). Seguem os passos exatos recomendados para travar o comportamento no Microsoft Edge:
Acede à barra de pesquisa do Windows, digita
regedite abre a aplicação.Navega até ao seguinte caminho:
HKEY_LOCAL_MACHINE\SOFTWARE\Policies\Microsoft\Edge(se a pasta "Edge" não existir, terás de a criar dentro de "Microsoft").Clica com o botão direito do rato num espaço vazio da pasta, seleciona Novo > Valor DWORD (32 bits).
Atribui-lhe rigorosamente este nome:
GenAILocalFoundationalModelSettingsDá um duplo clique no ficheiro criado e altera o campo "Dados do valor" para
1.Clica em OK e podes fechar a janela.
A partir deste momento, o Edge fica impedido de efetuar a transferência do modelo fundacional GenAI. Caso o ficheiro já estivesse presente no computador, a aplicação desta política encarrega-se de o remover silenciosamente.
Para aplicar a mesma restrição no Google Chrome, o método segue a mesma lógica, mudando apenas o diretório final:
No Editor de Registo, localiza a chave:
HKEY_LOCAL_MACHINE\SOFTWARE\Policies\Google\Chrome(cria as chaves em falta caso seja necessário).Adiciona um novo Valor DWORD (32 bits) com a designação
GenAILocalFoundationalModelSettings.Define os dados do valor com o número
1e guarda a alteração.
O resultado prático é idêntico, impedindo que o navegador da Google continue a acumular gigabytes de dados de IA sem consentimento. A documentação avança que esta diretiva está oficialmente suportada no Edge a partir da versão 132 para Windows e macOS, e desde a versão 147 no Android, não existindo suporte para o sistema iOS.
Esta configuração tem ainda a vantagem de suportar atualizações dinâmicas, o que significa que as regras entram em vigor de imediato sem que seja obrigatório reiniciar a aplicação. Para utilizadores de navegadores baseados nas mesmas tecnologias, como o Opera, o princípio aplica-se de forma semelhante, bastando adaptar o caminho do registo para as respetivas chaves da marca.












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