
O domínio absoluto que a Intel exerceu durante anos no mercado de processadores de servidor está a sofrer uma alteração profunda. Depois de mais de uma década a liderar sem grande oposição com as suas linhas clássicas, a gigante tecnológica enfrenta agora o avanço implacável da rival. Tudo começou a mudar com a introdução da arquitetura Zen, que impulsionou não só o mercado de consumo mas também o setor profissional através dos processadores AMD EPYC. Segundo os dados mais recentes, a linha profissional da AMD já absorve quase metade de todo o capital investido em processadores para servidores a nível global.
A revelação foi avançada pelo TechPowerUp, que destaca o salto impressionante nas receitas da AMD durante o primeiro trimestre de 2026. Mesmo que a Intel ainda mantenha a liderança no volume total de unidades instaladas, a fatia financeira captada pelos processadores EPYC demonstra que as empresas estão a direcionar os seus maiores orçamentos para a tecnologia da AMD.
O Salto Histórico nas Receitas do Setor
O percurso da AMD no segmento profissional é um verdadeiro caso de estudo. Anos atrás, a presença da empresa nos centros de dados era quase residual, rondando uma quota de apenas 3%. No entanto, os números do primeiro trimestre de 2026 confirmam que os processadores EPYC representam agora 46,2% do gasto total mundial em CPU para servidores.
Esta capacidade de captar quase metade das receitas globais do setor, mesmo não tendo a maioria das unidades no mercado, explica-se por um detalhe financeiro crucial: o preço médio de venda dos chips de topo da AMD é substancialmente superior ao da Intel. As empresas e os grandes centros de dados estão dispostos a pagar um valor mais elevado para garantir o nível de desempenho e a eficiência energética que a arquitetura Zen oferece para cargas de trabalho intensivas.
Quota de Mercado Reflete Mudança de Hábitos
Apesar do sucesso financeiro estrondoso, a análise à quota de mercado real (unidades ativas) mostra que a AMD detém atualmente 27,4% do setor, o que representa uma subida de 3,3% face ao período anterior. Isto significa que, na prática, apenas cerca de um em cada quatro servidores utiliza processadores EPYC.
Esta discrepância entre a receita e o volume de unidades justifica-se pela vasta infraestrutura legada que ainda domina a indústria. Muitos centros de dados mantêm servidores mais antigos equipados com processadores Intel Xeon que ainda não foram substituídos.
Em contrapartida, a Intel fechou o primeiro trimestre de 2026 com uma quota de mercado de 54,9%. Embora ainda represente a maioria, este valor traduz uma queda acentuada de quase 10% face aos 64,4% registados no mesmo período do ano passado. Paralelamente ao duelo na arquitetura x86, os processadores baseados em Arm também estão a ganhar terreno, alcançando 17,7% de quota de mercado no arranque de 2026 — um crescimento sólido face aos 11,5% do ano anterior, impulsionado pela procura por soluções focadas na máxima eficiência.












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