
A Intel e a AMD estão prestes a aplicar novos aumentos de preços nas suas gamas de servidores, motivadas por uma escassez de stock que já começa a atingir níveis preocupantes em todo o mundo. Com a procura por chips destinados ao setor da inteligência artificial a disparar, os tempos de entrega para as linhas Xeon e EPYC estão a esticar-se por vários meses, num cenário que promete encarecer o hardware profissional já a partir das próximas semanas.
De acordo com informações avançadas pelo MyDrivers, a Intel prepara uma terceira subida de preços para o final de maio, com um incremento previsto de 20% na família Xeon. Este movimento surge após dois ajustes efetuados no início do ano e deve ser acompanhado pela rival AMD, que planeia atualizar a tabela de preços dos seus processadores EPYC em junho, embora ainda sem uma percentagem confirmada para esta nova vaga.
Escassez de componentes afeta entregas em todo o mundo
A situação atual do mercado de processadores para servidores é descrita como estando longe de normalizada. No caso da Intel, estima-se que entre 20 a 30 modelos da família Xeon 5 sofram de falta de unidades disponíveis, com prazos de entrega que podem chegar aos quatro meses. Mesmo na linha Xeon 6, que é a mais recente da marca, já começam a surgir dificuldades de fornecimento em cerca de dez modelos distintos.
A AMD enfrenta um cenário igualmente desafiante com os seus chips EPYC de quarta e quinta gerações. A falta de disponibilidade atinge atualmente entre 10 a 15 variantes destes componentes, obrigando os clientes a esperas que variam entre os dois e os três meses. Esta pressão sobre o stock é o principal motor para os novos aumentos, uma vez que a capacidade de produção de gigantes como a TSMC ou a própria Intel Foundry Services não consegue acompanhar o ritmo frenético das encomendas.
IA dita o ritmo dos novos aumentos para servidores
O grande culpado por este aperto no mercado é, sem surpresa, a explosão da IA. Anteriormente, a proporção em servidores de treino de modelos inteligentes costumava ser de um processador central para cada oito unidades de processamento gráfico. No entanto, os novos requisitos técnicos estão a baixar essa relação para 1:4 ou mesmo 1:2, o que obriga as empresas a comprar muito mais CPUs para alimentar o mesmo número de máquinas.
Este cenário não deve ficar limitado apenas ao setor empresarial. Tal como aconteceu em subidas de preços anteriores, o impacto deverá acabar por se refletir no mercado de consumo, afetando o custo final de computadores de secretária e portáteis para o utilizador comum. Com a disponibilidade de stock a ir de mal a pior, resta esperar que a produção estabilize antes que a conta final se torne demasiado pesada para a carteira dos entusiastas de tecnologia.












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