
Quem tem procurado computadores nos últimos meses já reparou no agravamento dos preços, e a tendência não vai abrandar tão cedo. A fabricante ASUS confirmou que os valores vão continuar a escalar durante o terceiro trimestre de 2026, embora a um ritmo mais brando, alertando de forma direta que a capacidade financeira dos clientes chegou ao limite. A informação foi partilhada por Liao Yi-hsiang, diretor geral de sistemas da marca no mercado taiwanês, e avançada pelo portal UDN.
A tempestade perfeita nos componentes dita as regras
A origem deste encarecimento continuado está perfeitamente identificada pela empresa. Desde o final do ano passado, o mercado tecnológico enfrenta uma forte pressão nos custos de produção, empurrada sobretudo pelos preços da memória RAM, dos processadores e das unidades de armazenamento SSD.
De acordo com os dados partilhados, alguns equipamentos da marca chegaram a registar um aumento próximo dos 30% até maio de 2026, quando comparados com o quarto trimestre de 2025. Perante este cenário, a empresa já aplicou ajustes nas tabelas de venda no primeiro e no segundo trimestres. Agora, para o arranque da segunda metade do ano, a fabricante planeia um novo aumento, mas desta vez limitado a um único dígito, justificando esta moderação com uma ligeira correção recente no custo global das memórias.
O limite da carteira e a mudança de estratégia
O alerta mais vincado deixado por Liao Yi-hsiang incide sobre a exaustão financeira dos utilizadores. Aplicar novos aumentos de dois dígitos seria fatal para a procura global, uma vez que o cliente atual simplesmente recusa pagar mais, sentindo que os saltos de desempenho e as novas especificações não justificam faturas tão agressivas.
Para a realidade portuguesa, esta dinâmica asiática serve de espelho direto ao que já se verifica nas prateleiras nacionais. Para quem procura um novo computador para o regresso ao trabalho ou para a escola, o cenário traduz-se em orçamentos consideravelmente mais pesados do que no ano anterior, exigindo uma análise rigorosa das verdadeiras necessidades de cada utilizador. A expectativa de que os preços fossem subir gerou mesmo uma vaga de compras antecipadas na primeira metade do ano, o que ajudou a manter um crescimento ligeiro nas vendas.
Ainda assim, a marca conseguiu contornar parte do problema através de uma mudança no tipo de produtos que vende. No primeiro trimestre de 2026, as receitas da divisão de computadores cresceram 25% em termos homólogos. Este valor não surgiu por venderem mais unidades de entrada de gama, mas sim máquinas de maior valor, como portáteis para videojogos, modelos corporativos e os novos computadores focados em inteligência artificial. Estas categorias de topo já representam cerca de 60% do total comercializado pela empresa. A fabricante planeia manter o volume de envios anual semelhante ao de 2025, apostando em sustentar as receitas através desta nova realidade de preços.












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